A epidemia da obesidade atinge diferentes raças, estratos socioeconómicos, géneros e nacionalidades. Este problema não está restrito a um tipo de pessoa. 

Por este motivo, é incorreto sugerir que a obesidade é causada apenas pelo condicionamento genético.

Contudo, existe investigação que indica que os nossos genes desempenham um papel no nosso peso.

Aumento da obesidade em Portugal

O número de portugueses obesos tem vindo a aumentar desde 1960. Atualmente, mais de metade da população portuguesa (5,9 milhões) sofre de excesso de peso. O caso é ainda mais grave se tivermos em conta a prevalência da obesidade na infância. Segundo o relatório da OMS “Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014” Portugal está entre os cinco países com mais adolescentes obesos, dos 27 países analisados.

As alterações genéticas levam muitos anos a manifestarem-se. Consequentemente, este aumento rápido nos números da obesidade não pode ser atribuído apenas a fatores genéticos.

A falta de atividade física, bem como a alimentação rica em calorias tem aumentado nos últimos anos. 

Contudo, nem todas as pessoas que não seguem um estilo de vida ativo, nem seguem uma dieta saudável se tornam obesas.

O que torna algumas pessoas mais propensas à obesidade que outras?

Se olharmos para o peso corporal em termos simples, este pode ser determinado por uma combinação dos seguintes fatores:

  1. Número de calorias ingeridas
  2. Quantidade destas calorias armazenada no corpo
  3. Quantas destas calorias são queimadas para energia

Estes três fatores podem ser influenciados pelos nossos genes, bem como o ambiente que nos rodeia:

 

 GenesAmbiente
Ingestão de caloriasApetite, saciedadeAcesso a comida
Calorias armazenadasDistribuição da gordura corporalAcesso a alimentos ricos em calorias
Eliminar caloriasMetabolismo, tendência sedentáriaAcesso ao exercício

Apesar dos genes desempenharem um papel na forma como o corpo converte comida em energia e como este distribui e armazena gordura, existem outros fatores ambientais que devem ser tidos em conta.

Alterações nos genes

Os estudos genéticos têm continuado a procurar alterações nos genes que possam ser atribuídas a uma doença em particular. A obesidade é uma destas condições complexas.

Uma alteração na estrutura do DNA é referida como uma alteração no gene ou um polimorfismo de nucleótidos simples e pode estar relacionada com o desenvolvimento de doenças.

As alterações nos genes para a obesidade foram encontradas nos cromossomas 16 e 18. Os portadores destes genes têm um risco 20 a 30% mais elevado de serem obesos.

Na maioria dos casos, o controlo do peso não está limitado a um tipo de gene (monogénico). Pelo contrário, é influenciado por uma combinação complexa de genes (poligénico) e fatores ambientais.

O que é a hipótese do genótipo económico (Thrifty Gene)?

A hipótese do genótipo económico ou em inglês “Thrifty Gene” assenta na evidência de que os nossos antepassados sobreviveram a tempos de fome devido à evolução de um gene que permite ao corpo armazenar gordura eficazmente. A gordura corporal armazenada era então utilizada pelo corpo quando eram procurados novos alimentos.  

Aqueles que eram capazes de sobreviver a períodos de escassez alimentar, passaram este gene às gerações que se seguiram. 

Obviamente, atualmente não precisamos de caçar e armazenar comida para os dias em que não temos. Por este motivo, a presença deste gene é considerada obsoleta. Porém, os seus efeitos podem ter impacto na forma como os nossos corpos armazenam gordura.

Que controlo têm os nossos genes no nosso peso?

Pensa-se que mais de 400 genes desempenham um papel no controlo do peso. As zonas genéticas identificadas como influenciadoras do índice de massa corporal (IMC), são constituídas por uma ampla secção do genoma humano.

São esperadas alterações genéticas que ocorram em áreas que controlam o apetite e o sistema nervoso. Contudo, a aprendizagem, a memória e as emoções também desempenham um papel.  

A nossa genética pode ter influência nos seguintes:

  • Níveis de apetite
  • Metabolismo
  • Saciedade
  • Distribuição da gordura corporal
  • Reação psicológica à comida
  • Desejos alimentares
  • Tendência sedentária

A influência que os genes têm no nosso peso podem variar grandemente de pessoa para pessoa. As investigações na área sugeriram que este intervalo se situa entre os 25-80%.

É possível saber se os nossos genes controlam o nosso peso?

Não. Infelizmente uma resposta definitiva a esta pergunta exige a realização de um perfil de DNA dispendioso. Contudo, existem alguns fatores que lhe podem fornecer alguma informação:

  • Tem um ou mais familiares com excesso de peso. Se ambos os seus pais têm excesso de peso, o seu risco de obesidade pode aumentar até 80%.
  • É difícil perder peso.
  • Teve excesso de peso durante a maior parte da sua vida.

As pessoas que se inserem nos critérios acima podem achar mais difícil manter um peso saudável. Nestas circunstâncias, o aconselhamento médico pode ser benéfico.

Apesar de se afirmar que a obesidade tem causa genética ou familiar, é muito raro esta condição ser causada por um gene em específico. Pelo contrário, é mais provável que as interações genéticas, bem como o ambiente, desempenhem um papel. 

O futuro da genética e obesidade

Perceber a forma como os genes influenciam a obesidade é importante para melhorar o tratamento e controlar esta epidemia.

O desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes depende no aumento do conhecimento relativamente à biologia desta condição. 

No futuro, as estratégias para a perda de peso poderão ser personalizadas para que estejam de acordo com as variações genéticas do indivíduo. Isto irá fornecer a forma mais eficaz de reverter ou evitar a obesidade.

A obesidade não é causada apenas por um fator. É importante lembrar-se que o papel da genética em controlar o peso é pequeno e que a predisposição genética para o aumento de peso não significa que a obesidade é inevitável.

Se procura perder peso, uma dieta equilibrada e variada é geralmente o melhor ponto de partida. Contudo, se tiver problemas em perder peso só com esta medida e exercício físico, deve consultar o seu médico.

Página revista em:  24/10/2017