A obesidade e a saúde mental podem relacionar-se. Ambas podem causar problemas ao indivíduos e famílias afetados, bem como ter impacto nos serviços de saúde públicos.

Em Portugal, pensa-se que uma em cada quatro pessoas irá sofrer de um problema de saúde mental a determinado momento. Para além disto, 1 milhão de portugueses sofre de obesidade.

Existem vários fatores externos que têm o potencial de afetar a obesidade e a saúde mental. Estes incluem, mas não estão limitados aos seguintes:

  • Género: Pensa-se que as mulheres têm um risco mais elevado de sofrer do ciclo obesidade-depressão, pelo que são mais prováveis de ser afetadas mentalmente devido ao aumento de peso.
  • Estado socioeconómico: Pessoas de estratos mais pobres e desfavorecidos têm uma maior risco de sofrer de problemas mentais e obesidade.
  • Educação: Cerca de um terço das pessoas que abandonam a escola sem qualificações, tornam-se adultos obesos.
  • Idade: Os níveis de obesidade tendem a ser mais elevados na faixa etária dos 55-65 anos.
  • Etnia: A raça pode ter influência no risco de obesidade, bem como as diferenças culturais têm impacto na forma como lida com os problemas de saúde mental.

O estado mental pode ter um impacto direto no peso, bem como o peso e a percepção da imagem podem causar problemas de saúde mental. Contudo, a relação entres os dois pode não ser clara.

Um estudo concluiu que a depressão é entre três a quatro vezes mais provável de ocorrer em pessoas com obesidade grave.

Os resultados de uma investigação desenvolvida pelo observatório nacional, indicaram que as pessoas classificadas como obesas tinham um risco aumentado de 55% de desenvolver depressão a determinado momento das suas vidas, enquanto aqueles diagnosticados com depressão clínica tinham um risco de 58% em tornarem-se obesos.

Alimentação emocional

A comida pode por vezes ser um alívio sem propósito nutricional. Nestas circunstâncias as pessoas comem para compensar sentimentos menos bons. Este tipo de comportamento é referido como alimentação emocional.

Os fatores que podem desencadear hábitos alimentares pouco saudáveis incluem:

  • Mau humor
  • Ansiedade
  • Frustração
  • Solidão
  • Stress
  • Raiva

A comida pode servir de conforto de forma a satisfazer problemas emocionais não resolvidos. Esta estratégia pode levar à dependência alimentar para conforto emocional, que por sua vez, pode levar ao aumento de peso.

Compulsão alimentar

A compulsão alimentar é um tipo de desordem alimentar em que o indivíduo come quantidades excessivas de comida, geralmente num curto espaço de tempo sem sensação de fome.

As pessoas com compulsão alimentar podem sentir falta de controlo quando se deparam com fatores desencadeantes.

As pessoas com esta condição podem passar por períodos de jejum, em que negam a si próprias comida. Comer compulsivamente e jejuar podem levar ao aumento e queda dramáticos dos níveis de açúcar no sangue, confundindo o cérebro e levando a desejos alimentares não naturais

Os episódios de compulsão podem ser particularmente desagradáveis para o indivíduo, ocorrendo muitas vezes em segredo. Estes podem desencadear sentimentos de vergonha e decepção, aumentando o risco de depressão.

Relação com a comida

A nossa relação adulta com a comida é baseada na forma como interagimos com esta enquanto crianças. Durante a infância aprendemos o que é sentir fome, bem como quando e com que frequência devemos comer para lidarmos com esta sensação.

Para muitas pessoas, a relação estabelecida com a comida na infância é positiva, onde a comida nutritiva é apreciada de forma saudável. Contudo, os adultos obesos podem ter tido uma relação pouco estável com a comida desde cedo. Os comportamentos alimentares durante a infância, podem ser difíceis de ultrapassar.

Eventos marcantes na infância podem afetar o indivíduo mais tarde. O abuso, a negligência ou o trauma podem desencadear hábitos alimentares na tentativa de usar a comida com uma distração dos seus sentimentos.

Uma baixa autoestima causada por abusos na infância pode levar a que a comida seja usada como uma barreira física. Comer conscientemente ou inconscientemente para engordar é uma forma de criar uma imagem menos atraente e manter outras pessoas à distância. 

O estigma do peso criado durante a infância pode aumentar a vulnerabilidade à depressão e à baixa autoestima, criar uma má imagem corporal, maus hábitos alimentares e diminuição da atividade física na vida adulta.

Existem alimentos viciantes?

A alimentação serve para fornecermos ao corpo a energia que precisa, bem como nutrientes essenciais que nos permitem desempenhar as nossas funções diárias.

Existem alguns tipos de alimentos e bebidas que podem ser consumidos de forma regular com pouco ou nenhum valor nutricional.

Os alimentos com muito sabor, como aqueles ricos em açúcar, sal e gordura foram relacionados a reações químicas de prazer no cérebro.

É possível que as pessoas fiquem viciadas nestas reações, quando a dopamina, o químico do bem-estar, é libertada pelo cérebro.

Os sinais de recompensa experienciados quando come estes tipos de alimentos podem ser tão fortes que ultrapassam a sensação natural de saciedade. Isto pode resultar em excessos alimentares, hábitos alimentares pouco naturais e aumento de peso.

A sociedade atual contribui para a obesidade?

As atitudes perante a comida alteram-se ao longo do tempo. Comer durante o dia, tarde à noite, beber bebidas ricas em calorias e comer sem fome tornaram-se hoje parte da norma. Parece que estes novos hábitos foram bem aceites pela sociedade. 

Atualmente, queremos que a nossa comida saiba bem, sendo esta normalmente parte de eventos sociais. Comer num restaurante ou encomendar comida dificultam a escolha de opções saudáveis pelo consumidor.

Na sociedade atual a comida é muitas vezes usada para combater a sensação de aborrecimento causada por uma sobrecarga cognitiva. Contar com a comida para aliviar o aborrecimento pode criar hábitos alimentares pouco naturais, difíceis de ultrapassar.

Se sofrer de aborrecimento, deve experimentar outras atividades para combater este sentimento. Desta forma, o seu corpo e mente não irão esperar alimentos assim que se sente aborrecido.

Use a mente para travar o aumento de peso

Ajuda médica pode ser necessária para pessoas que lidam com problemas de saúde mental e aumento de peso. O diagnóstico precoce de ambas as condições pode ajudar.

A evidência sugere que quantos mais episódios de problemas de saúde mental ou quanto mais severa a depressão, maior é o risco de ganhar peso.

Pessoas que achem difícil controlar o seu peso, podem começar pelo seguinte:

  1. Controle aquilo que come. Registe as suas refeições e snacks diariamente, o que come e quando. Isto pode ajudar a focar-se nas razões por trás dos seus hábitos alimentares.  
  2. Reduza as porções. Pode reduzir a quantidade de comida que come diariamente simplesmente ao reduzir o tamanho das porções.
  3. Controle o stress. Se existe um fator na sua vida que lhe está a causar ansiedade ou stress, este deve ser controlado. Isto nem sempre é possível dependendo da causa, mas é importante lembrar-se que emoções instáveis podem prejudicar as tentativas para perder peso.
  4. Inclua os seus amigos mais próximos e família. O apoio das pessoas à sua volta é importante, uma vez que estas podem ajudar a lidar com as tentações e ser um apoio nos dias maus.
  5. Foque-se nos dias bons e tente não se deixar levar pelos maus momentos.
Página revista em:  24/10/2017