A relação entre a contraceção hormonal e o aumento de peso é um assunto frequentemente debatido. Na atualidade, provar uma relação entre os dois é sempre difícil devido a vários potenciais fatores, como a dieta, o metabolismo e o exercício. Por esta razão, existe pouca evidência que suporte a teoria de que a certas opções contracetivas possam aumentar ou diminuir o peso. 

Para mulheres a usar contraceção hormonal pela primeira vez, é importante ter a segurança de não sofrer efeitos secundários na sua saúde em geral, pelo que um médico pode ajudar a fornecer mais informação. 

Questões relativas a um possível aumento de peso são frequentemente feitas por pacientes que decidem usar este método contracetivo, uma vez que este efeito pode afetar a decisão de muitas mulheres. 

Tendo isto em conta, salientamos as principais opções, bem como os seus efeitos no aumento de peso.

Contraceção oral combinada

De acordo com a Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH) não existe atualmente evidência que suporte a teoria de que a pílula causa aumento de peso. O mito em torno da pílula e do aumento de peso começou por volta dos anos 60, quando foi lançada a primeira pílula, com uma concentração hormonal muito superior às concentrações de estrogénio e progesterona presentes nas pílulas atuais. Esta concentração elevada pode ter causado aumento de peso no passado. Contudo, desde esta altura, a quantidade de hormonas na pílula foi revista.

Anel Vaginal

O anel vaginal usa uma combinação das hormonas estrogénio e progesterona e atua de forma semelhante às pílulas contracetivas combinadas. Por este motivo, não existe evidência clínica que suporte a associação entre a utilização do anel e as alterações de peso.

Minipílula (pílula com apenas progesterona)

Não existe uma relação causal entre a minipílula ou o aumento ou diminuição de peso. Algumas mulheres que usam a pílula apenas com progesterona relatam alterações no seu peso, apesar de existir pouca evidência relativamente a estas alterações, podendo estas não ser causadas apenas pela pílula.

Dispositivo intrauterinos (DIU) e Sistema intrauterino (SIU)

Algumas alterações de peso foram observadas em utilizadoras do DIU e do SIU. Não existe uma grande diferença entre os dois tipos de dispositivo. Se está a pensar utilizar um destes, tenha em conta que não existe evidência da sua relação com o aumento de peso. Cada mulher é diferente e as reações podem ser diferentes.

Implante contracetivo

Algumas mulheres que usam o implante contracetivo relatam alterações de peso, apesar de não ter sido provada uma associação direta. É importante ter em conta que todos os tipos de contracetivos exigem algum tempo para que o corpo se habitue, por isso, alterações notadas inicialmente, podem não permanecer posteriomente. O implante pode ser removido se não estiver confortável com algumas das alterações que notou. Simplesmente marque uma consulta com o seu médico.

Injeção contracetiva

A injeção contracetiva está relacionada com o aumento de peso em algumas mulheres, tendo sido citada como um motivo para a não continuação do tratamento. O aumento de peso foi particularmente notado em mulheres com menos de 18 anos e com um IMC superior a 25. Apesar deste fenómeno ter sido relatado, não quer dizer que vá sofrer este efeito. Posto isto, se optar pela opção contracetiva e estiver insatisfeita com alterações relativas ao seu peso, deve consultar o seu médico sobre possíveis alternativas.

Pontos a reter:

  • O seu sistema pode levar algum tempo a adaptar-se ao novo contracetivo.
  • Uma alteração inicial de peso pode não ser permanente.
  • Para muitas mulheres, os benefícios de usar a contraceção acima descrita, ultrapassam as desvantagens.
  • Cada mulher é diferente. O facto de as alterações de peso estarem descritas como possível efeito secundário, não quer dizer que ocorram.
  • Notou alterações de peso? Contacte o seu médico para que lhe possa ser prescrita uma alternativa.
  • Existem várias opções contracetivas disponíveis, pelo que fazer ligeiras alterações pode ajudar a limitar o risco de efeitos secundários.
Página revista em:  26/10/2017