O pastel de nata, o mais conhecido dos doces portugueses, é o principal acompanhamento do café. A base da receita leva massa folhada, gemas, açúcar, farinha, canela e “ingredientes secretos”. Em Lisboa, os dois principais estabelecimentos com tradição de pastel de nata vendem cerca de 20.000 (Pastéis de Belém) e 4.000 (Manteigaria) pastéis por dia. O pastel de nata tem a fama de ser o doce que tem menos calorias e, por esta razão, ser o acompanhamento perfeito para o café que é, geralmente tomado mais de uma vez por dia. A grande pergunta é: o pastel de nata tem mesmo poucas calorias?

Criamos uma tabela de calorias dos principais doces que acompanham um café para investigar se isto é verdade:

Qual o doce que devo comer com o café?

Como podem perceber, o doce que tem menos calorias é a tarte de maça e não o pastel de nata.
De acordo com a Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge publicado no portal do SNS (Serviço Nacional de Saúde) o pastel de nata tem 299 kcal de energia; 1260Kj de gordura total; 48,5g de total de hidratos de carbono disponíveis e 157mg de colesterol. Pelos dados da tabela, a tarte de maça é a melhor opção com o seu café em termos de calorias (200Kcal) e gordura (10.2g), deixando o Pastel de nata em segundo lugar. Os doces que devem ser evitados com o seu café são a Madalena e o queque, que chegam a ter cerca de o dobro das calorias da tarte de maça. O café em si, com apenas 16 kcal, não deve ser uma preocupação, exceto quando for adicionado açúcar. Para que o seu café não se torne calórico, tenha em mente que um pacote de 8g de açúcar contém 32kcal.


O pastel de nata e a sua saúde

Mesmo não sendo considerado o doce com a maior quantidade de calorias e ser ainda uma boa opção com o café, o pastel de nata não deve ser consumido todos os dias. O pastel de nata acaba por ser o doce de eleição na ida à pastelaria pelo fato de que, quando comparado com outros doces, ter um teor de gordura mais baixo. O mito das calorias, na verdade, está relacionado com a quantidade de gordura, confundida com a energia total do doce. De qualquer modo, por conter açúcar e gordura, deve consumir pastéis de nata de forma pontual caso queira ter uma alimentação equilibrada.

Pode optar por fazer bolos em casa pontualmente, escolhendo ingredientes mais saudáveis sem comprometer tanto a sua saúde. Lembramos que uma refeição equilibrada deve ter cerca de 500Kcal, portanto, um pastel de nata consome mais da metade das calorias de uma refeição.

Como perder as calorias ganhas com o pastel de nata?

Para perder as calorias ganhas com o pastel de nata, uma pessoa de 60Kg deve caminhar num ritmo de 3/4Km/h durante 95 minutos. Caso opte por fazer jogging, a mesma pessoa levará 35 minutos para perder as calorias do doce. Há algumas práticas que podem ser inseridas no quotidiano que facilitam o consumo do seu pastel de nata sem culpa. Recentemente, sugerimos sair algumas estações do metro de Lisboa antes do seu destino como uma forma de fazer exercício sem precisar ir a um ginásio. Veja o nosso mapa de calorias do metro de Lisboa.

Alguns factos históricos do pastel de nata

O pastel de nata, chamado “pastel de Belém” pelo estabelecimento pastéis de Belém, é geralmente declarado o primeiro a ser criado, em que existe inclusive uma receita secreta. A sua história aponta para o século XIX, quando em decorrência de uma revolução liberal em 1820, muitos conventos e mosteiros acabam por serem encerrados em 1834. Numa das tentativas de fazer sobreviver o Mosteiro de Belém, alguém decide fazer e vender estes pastéis, que rapidamente passaram a ser chamados “pastéis de Belém”.

Há referências de pastéis de nata no Alentejo e no Porto, mas como pastéis de leite. A primeira referência histórica dos “pastéis de leite” estão com a receita da Infanta Dona Maria, no século XVI, que os chama de “pastéis de massa”, em que a única diferença seria na massa, que não é folhada, mesmo o recheio sendo muito parecido. A massa como atualmente é confecionada, aparece em registos históricos somente 100 anos depois, no princípio do século XVII, na corte espanhola. Um cozinheiro do Rei Felipe II de Espanha, que esteve em Lisboa por alguns meses, publica em 1611 uma receita de pastéis com massa folhada. A receita mais completa do doce em Lisboa encontra-se no Mosteiro de Odivelas, no caderno da abadessa Dona Bernardina da Conceição, que morreu em 1866. É a receita mais antiga registada em Portugal, sendo também a primeira do seu caderno, reforçando mais uma vez a importância do doce para a culinária portuguesa desde os séculos passados.