Apesar de muitos saberem dos riscos envolvidos, o sexo desprotegido ainda é algo em que muitos se engajarão.

Numa pesquisa de 2012 com estudantes da idade universitária, dois terços dos que eram sexualmente ativos disseram que haviam tido relações sexuais desprotegidas pelo menos uma vez.

Parece haver um consenso em relação às DST, especialmente entre pessoas mais jovens, de que elas não são tão comuns quanto eram antes. No entanto, os números oficiais sugerem o contrário. Embora os relatórios da Saúde Pública na Inglaterra tenham registado uma queda de três por cento nos diagnósticos de DST entre 2014 e 2015, acredita-se que isto se deva ao fato de que menos testes foram realizados. Casos de sífilis e gonorreia durante este período subiram, em 20% e 11%, respetivamente. Em Portugal, segundo o relatório da DGS de 2015, ⅓ dos jovens não sabe ou não se lembra ter utilizado preservativo na primeira relação sexual, o que demonstra por um lado falta de informação sobre a saúde sexual e um elevado risco de contração das DST nesta faixa etária.

O sexo desprotegido é, sem dúvida, um fator-chave que contribui para esta tendência. A maioria do material de leitura sobre este assunto é preventivo: aconselha sobre as possíveis consequências que poderiam ocorrer se a proteção não fosse usada.

No entanto, não há muita informação disponível que aborde o tópico do sexo desprotegido após o ato: nomeadamente, o que fazer depois da relação sexual.

Para aqueles que procuram prevenir o desenvolvimento de DST e ITU, reduzir a probabilidade de transmissão de uma infeção para outra pessoa e também reduzir as hipóteses de gravidez não planeada, apresentamos o nosso guia útil sobre o que deve fazer nos minutos, dias e semanas após um encontro casual:

No momento a seguir:

Ir à casa de banho.


Infeções do trato urinário podem ocorrer em ambos os sexos, mas as mulheres tendem a ser muito mais suscetíveis do que os homens, e cerca de 8 em 10 casos femininos de ITU se desenvolvem dentro de 24 horas após o sexo. Ir à casa de banho pouco tempo após o ato sexual para urinar ajuda a eliminar bactérias na uretra e reduzir este risco.

Durante as 24-48 horas seguintes:


Pense se deve ou não tomar contraceção de emergência.


Desde que tenha tomado a sua pílula regularmente sem interrupção durante as semanas anteriores (assim como no dia da relação sexual desprotegida e nos dias seguintes), a probabilidade de gravidez ainda é mínima, e a anti contraceção de emergência provavelmente não será necessária.

No entanto, se não estiver a usar qualquer forma de contraceção hormonal, então as hipóteses de gravidez obviamente aumentam. Em tais casos, e desde que seja adequado para si, a pílula do dia seguinte pode ser aconselhável.

A eficácia da pílula de emergência depende principalmente de quão logo após o sexo desprotegido esta é tomada.

Upostelle e Levonelle, que contêm levonorgestrel, precisam ser tomadas dentro de 72 horas após a relação sexual (não devem ser usadas após este tempo). Estes medicamentos têm um melhor funcionamento quando tomados dentro de 12 horas de sexo desprotegido, e são pensados para ser 84 por cento eficazes na interrupção da gravidez.

EllaOne é um tratamento ligeiramente diferente, pode ser feito em até 120 horas após a relação sexual (não mais tarde que isso) e acredita-se que seja 95% eficaz.

Consulte um médico imediatamente se suspeitar que foi exposto ao HIV:


Se o seu parceiro disser-lhe que tem HIV, ou teve um encontro com alguém que tenha a doença, então visite o seu médico ou clínica local de saúde sexual o mais rápido possível. Aqueles que possam ter sido expostos à infeção podem receber PEP (profilaxia pós-exposição) dentro de uma determinada janela de tempo para evitar que o vírus se desenvolva.

Faça um teste se notar sintomas incomuns:


Já discutimos anteriormente como uma alta proporção de DST, como gonorreia e clamídia, não causa sintomas percetíveis, e é por isso que fazer o teste é crucial.

No entanto, infeções bacterianas como estas tendem a levar entre alguns dias e algumas semanas para que os sintomas se manifestem, enquanto aquelas associadas a ITU, vaginose bacteriana ou infeções fúngicas podem se desenvolver muito mais cedo. Então, se você notar algo como uma mudança na descarga (ou nos homens, qualquer tipo de corrimento), irritação ou dor durante a micção, estes podem ser sinais de uma infeção, deve, portanto consultar um médico.

Durante a semana seguinte:


Faça um teste para as DST.


Como mencionado acima, algumas DST não produzem nenhum sintoma, portanto, é importante ser testado na sua clínica local de saúde sexual dentro de 7 dias após a relação sexual desprotegida, independentemente de notar sintomas ou não.

Quando uma infeção bacteriana é encontrada, o profissional de saúde irá emitir um antibiótico para tratá-la. Mais testes são necessários para garantir que a medicação tenha eliminado a infeção, e isto normalmente será realizado duas semanas após o tratamento ter sido administrado.

É crucial também evitar relações sexuais até que tenha recebido a informação, para que não corra o risco de transmitir a infeção à outra pessoa.

Se notar alguma lesão genital, consulte um médico:


Herpes nem sempre produz sintomas percetíveis; um número elevado de pessoas infetadas com o HSV (Herpes) pode ser portador, porém, nunca experimentam bolhas ou feridas características. O tempo médio de manifestação para sintomas é de 5 a 10 dias após a exposição. Aqueles que desenvolvem herpes podem obter ajuda do seu médico na forma de um tratamento antiviral, como o Aciclovir ou o Valtrex.

 

Após um período menstrual atrasado:


Faça um teste de gravidez.


Existem novos kits para testes domiciliares que podem detetar a gravidez ainda mais cedo, mas muitos irão aconselhar a que espere até o primeiro dia o atraso da menstruação para administrá-los e obter um resultado preciso. O NHS (Sistema de Saúde Nacional do Reino Unido) aconselha que, caso haja dúvidas quanto ao atraso, que deve-se esperar até pelo menos três semanas após o sexo desprotegido para fazer o teste.

Muitos kits de testes caseiros têm um grau muito alto de precisão (99% na maioria dos casos), mas aqueles que preferem ser testados por um médico para obter um resultado definitivo podem ser verificados pelo médico de família, ou numa clínica local de saúde sexual.

3-6 meses depois:


Faça outro teste para as DST.


Embora a clamídia e a gonorreia possam aparecer num teste em poucos dias, a sífilis e a hepatite B podem levar até 6 semanas para se desenvolverem no organismo e o HIV até 3 meses, por isso é importante fazer o teste novamente após esse período.

 

Alguns conselhos finais sobre manter-se protegido(a):


Práticas seguras são vitais para aqueles que são sexualmente ativos. Os preservativos podem prevenir a transmissão de vários tipos diferentes de DST, limitar o risco de infeções do trato urinário e reduzir significativamente a probabilidade de gravidez não planeada. Caso seja sexualmente ativo e tenha relações sexuais com mais de um parceiro sexual, seguir estas recomendações é extremamente importante.

Talvez o mais importante seja não se precipitar. Pare alguns instantes, diminua a velocidade e pense nas suas opções. Se tiver preservativo, use-o ou certifique-se de que o seu parceiro(a) tenha. Se o seu parceiro(a) não tiver um, lembre-se de que outras práticas sexuais que não envolvem penetração apresentam um risco muito menor.

Página revista em:  14/08/2018