Portugal lidera com a Suécia e Dinamarca os melhores países no tratamento do VIH no mundo. Neste artigo, iremos demonstrar em tabelas e gráficos alguns dos principais números mundiais e de Portugal sobre os avanços na deteção e tratamento do VIH, além de discutir os tratamentos disponíveis na atualidade.

Desde o primeiro caso de VIH documentado no início dos anos 80, muito já aconteceu. De acordo com as estatísticas de 2018 da UNAIDS, 37.9% pessoas vivem com VIH, entre as quais 1,7 milhões têm menos de 15 anos. Um total de 32 milhões morreram em decorrência do HIV. Estima-se que 1,7 milhões de pessoas morreram em decorrência da AIDS em 2004, já em 2018 o número reduziu para 770,000. A UNAIDS, uma iniciativa das Nações Unidas para acabar com a epidemia da AIDS em 2030 determinou um objetivo para os seus estados-membros chamado 90-90-90 (90% da população infetada sabe da sua condição; 90% está a tratar-se; 90% tem o vírus suprimido) atingido até 2020. Em 2017, a percentagem global era 75-79-81. As estatísticas acima foram feitas entre 2017–2018 e mostram que Portugal, junto da Suécia, atingiu a meta dos 90% antes da data limite.

Este gráfico abaixo mostra como, apesar do número de infetados ter aumentado, o uso de pessoas em tratamento também aumenta e aproxima-se do número geral ao longo dos anos (clique para aumentar a imagem):

Percentual entre homens e mulheres nos últimos dez anos (clique para aumentar a imagem):

Entre os homens, que compõe a maioria do número de infetados, veja quais são os principais meios de infeção por faixa etária (clique para aumentar a imagem):

Quais são as previsões para a erradicação do VIH em Portugal?

Conversamos com o nosso diretor clínico, Dr Daniel Atkinson, especialista em DST, e perguntamos se acredita que é possível eliminar novos incidentes de VIH em Portugal. Respondeu:

“Apesar de Portugal ter feito um excelente trabalho em atingir a meta dos 90-90-90, as estatísticas ainda demonstram que homens que fazem sexo com homens são ainda um grupo vulnerável para novos casos de VIH. O PrEP pode ser a resposta para este problema, ajudando a reduzir estes números.”

Os últimos números oferecidos pelo Sistema Nacional de Saúde no relatório informado no final de 2019, mostram os resultados da aposta na distribuição dos meios preventivos à população, assim como o rastreio e o tratamento. Em 2018, foram distribuídos 5 milhões de preservativos masculinos, 70 mil preservativos femininos, 1,3 milhões de seringas e 1000 pessoas, maioritariamente cisgénero, iniciaram o tratamento como PrEP.

O sucesso no programa de prevenção, deteção e tratamento para o VIH em Portugal deve-se à implementação de programas de redução de riscos e minimização de danos, como:

  1. Troca de seringa
  2. Programa de Baixo limiar de substituição opiácea
  3. Política de descriminalização do consumo de drogas
  4. Rastreio de doenças infecciosas, referenciação aos cuidados
  5. Diagnóstico precoce e redução de transmissão

O que é PrEP e como prevenir o VIH

PrEP é o diminutivo de Profilaxia Pré-exposição, um medicamento que pode ser tomado para prevenir o VIH. O PrEP original chama-se Truvada, mas já existem versões genéricas do medicamento sob o nome Tenofovir. A Direção Geral da Saúde (DGS) aprovou o PrEP em Portugal em 2017 e a dispensa, quando indicada, é feita pelo Serviço Nacional de Saúde. O PrEP também pode ser encontrado em serviços de saúde privados.

Existem variados métodos para diminuir o risco de infeção pelo vírus do VIH. O método mais efetivo é o uso de barreiras de contraceção (camisinhas). Diminuir o risco de fricção e a possibilidade de sangramento do ânus ou da vagina através do uso de lubrificantes a base de água é também indicado. Para além do sexo seguro, o PrEP pode diminuir bastante o risco de contrair o VIH se tomado corretamente. O tratamento funciona ao restringir a ação da enzima DNA polimerase, que o vírus necessita para reproduzir as suas próprias células.