Fumar é um hábito difícil de abandonar. De acordo com a Action on Smoking and Health (ASH), dois terços dos fumadores quer deixar de fumar. Porém, um número significativamente mais baixo (30-40%) irá tentar fazê-lo durante o ano.

A boa notícia para a saúde pública é que o número de fumadores é cada vez menor, tendo decrescido em Portugal desde 2011. Estima-se que o número de fumadores em Portugal, em 2016 corresponda 18,8% da população.

Existem várias razões por trás desta diminuição.

Primeiro, os riscos para a saúde de fumar (doença cardíaca, vários tipos de cancro e DPOC, entre outros) são hoje muito mais conhecidos do que eram há 40 anos atrás e as campanhas anti-tabágicas tornaram estes problemas alvo de debate. 

Em segundo, várias restrições foram colocadas à comercialização de tabaco, de forma a reduzir o seu consumo. Os impostos sobre o tabaco aumentaram, pelo que este se tem tornado cada vez mais caro. Também foram feitas restrições a nível de publicidade, tornando cada vez mais difícil a comercialização de tabaco em Portugal. 

Em terceiro, a introdução de métodos de cessação tabágica, incluindo produtos substitutos da nicotina, medicamentos e até programas de suporte motivacional, tornaram disponíveis mais opções para aqueles que querem deixar de fumar.

O objetivo de qualquer fumador deve ser parar de fumar. Ao fazê-lo estará a reduzir as hipóteses de desenvolver doenças associadas, sendo as melhorias de saúde notadas inevitavelmente por aqueles que conseguem deixar de fumar com sucesso. 

Claro que todos os fumadores são diferentes e o facto de um método em particular resultar com uma pessoa, não significa que resulte com todos.

Felizmente, existem diferentes métodos disponíveis para os fumadores que o desejem fazer, pelo que se um método em particular não resultar, podem ser exploradas outras opções.

Estas incluem:

  1. Medicamentos sujeitos a receita médica (Zyban e Champix)
  2. Terapia de substituição da nicotina
  3. Cigarros eletrónicos
  4. Deixar de fumar sem ajuda

Medicamentos sujeitos a receita médica

Existem dois medicamentos sujeitos a receita médica disponíveis para parar de fumar.

Quando alguém toma estes medicamentos, é provável que pare de fumar pouco tempo depois de iniciar o tratamento. Estes tratamentos atuam ao reduzir os sintomas de abstinência da nicotina.

O Zyban é fabricado pela GlaxoSmithKline e foi aprovado em 1997. Este contém uma substância chamada bupropiom e é normalmente administrado num ciclo de nove semanas. Este ajuda o utilizador a deixar de fumar ao impedir a recaptação de certos neurotransmissores químicos no cérebro, que são estimulados pela inalação de nicotina.

Isto significa que a pessoa que toma o medicamento não sente tanto os efeitos da abstinência da nicotina, como se deixasse de fumar sem ajuda.

O Champix é um medicamento em comprimidos fabricado pela Pfizer aprovado para deixar de fumar em 2006. 

É tomado de forma semelhante ao Zyban. Os utilizadores começam com uma dose baixa, sendo esta aumentada quando se aproxima a data estabelecida para deixar de fumar. O tratamento tem a duração de 12 semanas, após as quais o médico pode optar por reduzir ou descontinuar o tratamento por completo.

O princípio ativo do Champix é a vareniclina que atua nos recetores de nicotina do cérebro de forma a impedir os sintomas de privação. Também tem o benefício adicional de diminuir o efeito da nicotina inalada nestes recetores, para que no caso de alguém que tome o medicamento fumar, não sinta o prazer habitual.

Estes medicamentos não estão indicados para todas as pessoas. Um médico terá de avaliar o estado de saúde do indivíduo antes da prescrição, uma vez que ambos têm o risco de efeitos secundários. Também é importante ter em conta que estes medicamentos devem ser usados como parte de um plano para deixar de fumar. Isto pode incluir sessões de apoio e a monitorização regular por parte de um profissional de saúde.

Ambos os medicamentos demonstraram um aumento das taxas de cessação tabágica em estudos, quando comparados com o placebo.

Terapia de substituição da nicotina

Durante muitos anos a terapia de substituição da nicotina foi considerada a melhor opção para quem deseja parar de fumar. Está disponível em várias formas, incluindo adesivos transdérmicos, pastilhas, comprimidos e inaladores. 

Estes tratamentos fornecem nicotina ao corpo, substituindo a quantidade que é fornecida pelo tabaco. Isto reduz o desejo de fumar.

Devido aos seus diferentes métodos de administração, a quantidade de nicotina fornecida pode ser diferente.

Por exemplo, os adesivos de nicotina administram uma dose gradual ao longo de 16-24 horas, dependendo ou não se o adesivo é removido durante a noite. 

O adesivo é substituído uma vez por dia e está disponível em diferentes doses. Normalmente, o tratamento é iniciado com uma dose mais elevada até deixar de fumar, sendo esta reduzida ao longo das semanas seguintes.

Outras terapias de substituição da nicotina, como as pastilhas, os inaladores e os comprimidos podem administrar uma dose mais concentrada e estão mais destinados a reduzir o desejo de fumar agudo.

A nicotina dos produtos orais como as pastilhas e os comprimidos é absorvida pelos tecidos da boca para a corrente sanguínea. Estes são mastigados pelo indivíduo de forma específica por etapas, de forma a garantir que a quantidade de nicotina é fornecida eficazmente. O início do tratamento coincide com a data em que deixa de fumar. Algumas marcas aconselham a que o tratamento dure 12 semanas, tendo como objetivo ir reduzindo a dose de nicotina gradualmente. 

Os inaladores também administram nicotina aos tecidos da boca e são a escolha comum para as pessoas que querem replicar o ato de fumar. 

Existem várias marcas de cada forma disponíveis. Nalguns casos, o médico pode aconselhar a utilização de mais de um tipo de terapia de substituição para aumentar as hipóteses de sucesso. A dose e duração do tratamento dependem dos hábitos tabágicos de cada um, nomeadamente duração do hábito e número de cigarros fumados por dia

Uma revisão de estudos* concluiu que a terapia de substituição da nicotina aumenta as hipóteses de deixar de fumar de 50% para 70%. Outros estudos** sugeriram que a utilização de uma terapia de substituição da nicotina simples pode duplicar as hipóteses de uma pessoa deixar de fumar

Cigarros eletrónicos

Os dispositivos que emitem vapor são frequentemente designados como cigarros electrónicos e têm sido usados amplamente nos últimos anos.

Os cigarros electrónicos são uma réplica da ação de fumar, uma vez que muitos destes dispositivos têm forma de cigarro e fornecem a mesma sensação.

Estes dispositivos contêm um líquido que contém nicotina. Quando este é aquecido, o vapor produzido liberta nicotina e é inalado pelo utilizador. Como não envolve queimar tabaco e os químicos nele presentes, permite ao utilizador consumir uma dose de nicotina sem inalar a maioria das toxinas presentes no cigarro. O monóxido de carbono e o alcatrão não são consumidos pelo uso de cigarros electrónicos, mas outros químicos prejudiciais são, apesar de em níveis reduzidos quando comparados com os cigarros tradicionais

Os cigarros electrónicos foram citados por vários estudos como sendo particularmente úteis para ajudar a deixar de fumar.

A sua eficácia é 60% maior do que as terapias de substituição de nicotina de venda livre***, sendo muito semelhante à dos medicamentos sujeitos a receita médica com apoio comportamental limitado. Porém, são menos eficazes do que estes tratamentos em conjunto com apoio especializado, de acordo com o estudo Smoking Toolkit Study.***

A utilização de cigarros electrónicos foi sujeita a um debate extenso recentemente, por serem um novo método, contudo, pouco é sabido sobre os seus efeitos a longo prazo e o facto de estes poderem ser um risco para a saúde ou não.

O serviço de saúde britânico considera-os uma opção viável particularmente para quem já tentou outros métodos para deixar de fumar, sem sucesso. Contudo é aconselhado que o seu uso seja acompanhado pelo aconselhamento de um serviço para parar de fumar

Deixar de fumar sem ajuda

Isto consiste em alguém deixar de fumar sem qualquer ajuda, dependendo apenas da força de vontade e de técnicas mentais. Em alguns estudos comparativos com outros métodos: terapia de substituição da nicotina, medicamentos sujeitos a receita médica e cigarros electrónicos, este provou ser o método com menos sucesso. Deixar de fumar sem ajuda é visto com a forma mais difícil. 

Contudo, é uma abordagem que pode funcionar e deve ser a primeira tentativa dos fumadores que querem deixar de fumar.

O número de cigarros fumados e a duração do hábito podem fazer uma grande diferença quando tenta deixar de fumar seja ajuda. Os fumadores ligeiros podem estar menos condicionados a parar o fornecimento regular de nicotina, estando mais bem preparados para lidar com os sintomas de abstinência caso parem. Quem fuma mais pode ter a tarefa mais dificultada.

Algumas pessoas que tentam deixar de fumar com este método são bem sucedidas, apesar de esta abordagem não ter os efeitos desejados na primeira tentativa. Por exemplo, pessoas que tentam várias vezes deixar de fumar sem ajuda podem ser bem sucedidas nas tentativas seguintes.

Apesar de em estudos clínicos esta não ser a melhor forma de parar, tentar não prejudica futuras tentativas.

Pessoas que querem deixar de fumar sem usar terapias de substituição de nicotina ou medicamentos sujeitos a receita médica, podem conseguir ajuda em linhas de apoio específicas para o efeito.

Página revista em:  24/10/2017