As notícias sobre os comprimidos para emagrecer têm sido frequentes nos últimos anos. Apesar de ser possível comprar medicamentos como o Xenical ou Orlistat com uma receita médica a partir de farmácias online, infelizmente, existem muitos websites ilegais que vendem tratamentos que não são seguros ou são mesmo ilegais.

Os perigos dos comprimidos para emagrecer ilegais são um assunto que abordamos frequentemente. Porém, existem também outros tratamentos, que outrora foram legais, mas que recentemente foram retirados do mercado devido ao seu risco elevado de efeitos secundários.

A Sibutramina, também conhecida como Reductil, é um destes exemplos.

O que é a Sibutramina?

A Sibutramina foi amplamente usada como tratamento para a perda de peso antes da sua comercialização ter sido proibida em Portugal em 2010, devido a preocupações devido à sua segurança e ao risco aumentado de causar AVC e ataques cardíacos.

A sua utilização também foi suspensa nos Estados Unidos, Europa e China.

Para que era usada a Sibutramina?

A Sibutramina estava disponível sujeita a receita médica em pacientes com um IMC (Índice de Massa Corporal) de 30 ou em pacientes com um IMC de 27 que estão em risco de desenvolver condições como a diabetes tipo 2 e a hipertensão arterial. O medicamento foi concebido para ser tomado em conjunto com um plano de exercício físico e uma dieta controlada.

Como funciona a Sibutramina?

Lançada no mercado desde 1998, a Sibutramina foi inicialmente desenvolvida pela Britain como um supressor de apetite, atuando ao aumentar os níveis de serotonina e noradrenalina no cérebro. Estes são conhecidos como neurotransmissores inibidores, causando uma sensação de saciedade após comer. A Sibutramina ajuda a aumentar esta sensação, para que o paciente se sinta saciado após ingerir menos comida.

Apesar de não ter sido tão amplamente usada como o orlistato, foi usada por 86.000 pessoas em 2009.

Porque motivo a Sibutramina foi proibida?

Estes comprimidos comprovaram a sua controvérsia desde o início, uma vez que a sua eficácia a tratar a obesidade foi questionada quando uma investigação americana concluiu que os pacientes a tomar 10mg do medicamento durante um ano, apenas perderam em média 3Kg. 

Esta também se provou contraindicada para pacientes com historial de AVC, problemas cardíacos ou hipertensão arterial. Contudo, as questões de segurança levantadas pela EMA (Agência Europeia dos Medicamentos) que avaliou o medicamento entre 1998 e 2002, concluíram que os benefícios compensavam os riscos.

Em 2002, a EMA pediu ao fabricante do Reductil, os laboratórios Abbott, para realizar um estudo relativamente à sua segurança e eficácia numa amostra grande de pacientes obesos. Após seguir a evolução de quase 10.000 pacientes ao longo de seis anos e ao comparar este medicamento com o placebo, foi concluído que o uso de Sibutramina apenas levou a uma perda de peso modesta e a curto prazo, com uma probabilidade maior de causar problemas cardíacos do que o placebo.* 

A EMA suspendeu todas as aprovações na Europa para a Sibutramina em Janeiro de 2010, citando as investigações desenvolvidas sobre os seus efeitos secundários, incluindo o risco de AVC e de ataque cardíaco não fatal. Estes superaram os benefícios do tratamento, que foi proibido em muitos outros países mais tarde no mesmo ano. 

A Sibutramina ainda pode ser encontrada em comprimidos para emagrecer ilegais, muitos dos quais rotulados como tratamentos naturais, continuando a ser uma preocupação para as autoridades de saúde na Europa. Os comprimidos para emagrecer ilegais podem ser perigosos e ter efeitos secundários que colocam em risco a vida. Por este motivo, é aconselhado pelas autoridades de saúde, que os evite.

Alternativas à Sibutramina

O orlistato, princípio ativo, é um dos tratamentos comercializados com o nome genérico Orlistato ou como o tratamento original Xenical, é prescrito a pacientes com excesso de peso, para os quais a realização de uma dieta equilibrada em conjunto com uma rotina de exercício físico, não foi suficiente.

Também estão disponíveis dois outros tratamentos mais recentes, o Saxenda e o Mysimba, ambos sujeitos a receita médica.

Um tratamento de venda livre, conhecido como Alli, contém uma dose mais baixa de orlistato e está disponível para comprar em farmácias online ou locais, após o aconselhamento com o farmacêutico.

Se procura ajuda para perder peso, deve primeiro consultar o seu médico, para conhecer as causas por trás do seu aumento de peso e sobre a necessidade de elaborar um plano de ação que possa melhorar a sua saúde, que pode incluir ou não a prescrição de medicamentos.

Página revista em:  26/04/2018