Apesar das várias opções disponíveis na internet e a nível local, não existe de momento nenhum medicamento para emagrecer milagroso que seja completamente seguro e com resultados comprovados sem a ajuda de alterações ao estilo de vida, tal como adotar uma dieta saudável e um plano de exercício

A segurança dos comprimidos para emagrecer é um assunto que tem sido notícia. Dois medicamentos disponíveis no passado, o Rimonabanto (Acomplia) e a Sibutramina (Reductil), foram proibidos em Portugal em 2008 e 2010, respetivamente, após terem causado efeitos secundários perigosos. Os medicamentos para emagrecer não aprovados causaram doenças graves e até a morte nalguns casos.

Aqui, consideramos os potenciais efeitos secundários dos comprimidos para emagrecer disponíveis com receita médica, venda livre ou em clínicas de emagrecimento. 

Nem todos os efeitos secundários dos medicamentos mencionados estão aqui listados. Garanta que lê a informação que acompanha qualquer produto que compre ou que lhe seja prescrito. Antes de usar qualquer medicamento, é extremamente importante que conheça os potenciais efeitos secundários, no caso de vir a precisar de assistência médica.

Orlistato (medicamento aprovado para a perda de peso)

Apenas um medicamento para emagrecer sujeito a receita médica está atualmente aprovado em Portugal. O orlistato, também comercializado como Xenical, atua nos intestinos ao impedir que as enzimas do sistema digestivo absorvam gordura a partir da alimentação, impedindo a sua absorção em um terço. Esta gordura passa pelo corpo e é eliminada nas fezes.

O Orlistato ou Xenical apenas são prescritos a pacientes com um IMC (Índice de Massa Corporal) de pelo menos 30, ou 28 no caso de estarem num risco aumentado de desenvolver condições como a hipertensão ou a diabetes tipo 2. Este deve apenas ser usado em conjunto com um plano de exercício físico e dieta, sendo apenas recomendado quando as alterações ao estilo de vida não de provaram suficientemente eficazes. 

Também está disponível em comprimidos, um tratamento com uma dose mais baixa de orlistato, o Alli.

Os efeitos secundários mais comuns deste medicamento afetam frequentemente o sistema digestivo. Estes são normalmente ligeiros e manifestam-se no início do tratamento, desaparecendo normalmente após um breve período, desde que mantenha a sua dieta e evite refeições ricas em gorduras. Estes incluem: 

  • Flatulência (por vezes com corrimento)
  • Dor abdominal
  • Necessidade de defecar urgente e mais frequente
  • Fezes moles e oleosas
  • Diarreia
  • Dor no recto

Outros efeitos secundários comuns são:

  • Dores de cabeça
  • Alteração do ciclo menstrual
  • Baixo açúcar no sangue (em pacientes com diabetes tipo 2)
  • Fadiga
  • Problemas relacionados com os dentes e gengivas

Os pacientes com condições renais pré-existentes podem desenvolver cálculos renais e as mulheres que tomam contracetivos orais, podem ser aconselhadas a usar métodos alternativos de contraceção, no caso de sofrerem de episódios de diarreia.

Outros efeitos secundários relatados com este medicamento, apesar de terem uma frequência desconhecida incluem: hepatite, cálculos biliares, pancreatite, hemorragia anal, diverticulite, aumento das enzimas hepáticas e reação alérgica.

Mysimba (atualmente a aguardar aprovação)

Recentemente aprovado para utilização na União Europeia, a combinação de Bupropiom e Naltrexona (com o nome Mysimba), ainda não está disponível em Portugal.

Ambas as substâncias atuam no tratamento de vícios. O bupropiom aumenta os níveis de dopamina no cérebro, encorajando a utilização de energia e reduzindo o apetite. A naltrexona ajuda a manter a perda de peso e reduz o desejo de comer ao afetar o sabor dos alimentos. 

Os efeitos secundários do bupropriom e da naltrexona encontrados nos estudos realizados até ao momento incluem:

  • Hipertensão
  • Alterações dos padrões de sono
  • Dores de cabeça
  • Dificuldades de concentração
  • Palpitações cardíacas
  • Rubor
  • Tonturas
  • Dor muscular
  • Mal-estar 

Até que esteja disponível em Portugal, não deve comprar este medicamento online se o encontrar, uma vez que o mesmo é ilegal.

Fentermina e Di-etilpropiona (Não aprovado para comercialização em Portugal)

Apesar destes medicamentos serem tecnicamente legais, não estão aprovados para a perda de peso em Portugal, pelo que não podem ser prescritos com este fim. Tanto a fentermina como a di-etilpropiona atuam como supressores do apetite, estimulando o sistema nervoso e enganando o cérebro para não sentir fome. Estes são parte da família das anfetaminas e foram tornados ilegais.

Estes medicamentos podem ser viciantes e têm sido relacionados com a hipertensão arterial e problemas cardíacos. Outros efeitos secundários destes comprimidos incluem:

  • Hiperatividade
  • Tremores
  • Dificuldade em dormir
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Alterações de humor
  • Paladar desagradável

Por não serem medicamentos aprovados para emagrecer em Portugal e serem potencialmente perigosos, não recomendamos a sua utilização.

Comprimidos para emagrecer naturais

Existem vários tratamentos naturais para a perda de peso. Alguns deles são acompanhados por relatos de celebridades e campanhas publicitárias caras. Estes são comercializados como medicamentos naturais tradicionais ou como contendo extratos de ingredientes naturais como algas, framboesas, cactos ou raiz de dente de leão. Contudo, os estudos clínicos a comprovar a sua eficácia são poucos. 

Os efeitos secundários relatados com estes medicamentos incluem sensação de inchaço, flatulência, obstipação e diarreia.

Os tratamentos com algas e raiz de dente de leão afirmam aumentar o metabolismo, tornando as visitas à casa-de-banho mais frequentes. Outros efeitos secundários incluem diarreia, dores de estômago e dores de cabeça. 

Pouco é atualmente conhecido sobre os efeitos secundários das acetonas de framboesas, porém, alguns utilizadores relataram nervosismo, ritmo cardíaco acelerado e aumento da tensão arterial.

Medicamentos para emagrecer ilegais

Estes devem ser evitados a todo o custo uma vez que não só as afirmações feitas acerca dos seus benefícios são duvidosas, como estes contêm substâncias proibidas com efeitos secundários perigosos. Por não terem sido aprovados por nenhuma autoridade médica, é impossível determinar a sua eficácia e segurança.

Várias mortes foram relacionadas com a utilização de comprimidos com DNP, que contém o químico industrial dinitrofenol.

  • Alguns efeitos secundários destes comprimidos são:
  • Ataque cardíaco
  • AVC
  • Falência renal
  • Episódios psicóticos
  • Vómitos
  • Febre
  • Batimentos cardíacos acelerados

Fazer a escolha certa

Se quer perder peso, o primeiro passo deve ser consultar o seu médico. Este será capaz de aconselhar a melhor opção, tendo em conta circunstâncias específicas.

Os tratamentos sujeitos a receita médica para emagrecer apenas são eficazes quando usados em conjunto com um plano de exercício físico e uma dieta equilibrada.

Consulte a nossa página sobre a obesidade para saber mais sobre os tratamentos disponíveis.

Página revista em:  24/10/2017