O que é a clamídia?

A clamídia é uma doença sexualmente transmissível (DST) que pode afetar tanto homens como mulheres. Pode ocorrer nos genitais, ânus, garganta e olhos. É transmitida pelo sexo desprotegido e é tratada com antibióticos.

Qual a prevalência da clamídia?

Não existem dados sobre esta doença em Portugal. Mas em Inglaterra, em 2015 foram reportados cerca de 200.288 casos, o que a torna a DST mais comum. Cerca de 70% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 25 anos.

A clamídia é mais comum em homens ou em mulheres?

A clamídia é mais frequentemente diagnosticada em mulheres do que em homens: em 2015, os casos femininos em Inglaterra totalizaram 114.509 e os masculinos 83.794.** 

Contudo, as taxas de teste mais elevadas em mulheres foram citadas como o factor mais significativo por trás destes resultados.

A clamídia é uma infeção bacteriana ou viral?

A clamídia é uma infeção bacteriana. É causada pela bactéria C. Trachomatis. Esta bactéria é um dos tipos pertencentes à família da clamídia.

A clamídia causa sintomas?

Pode causar, mas em muitos casos é assintomática (não apresenta sintomas). Cerca de cinco em cada 10 homens e oito em cada 10 mulheres não apresentam sintomas da infeção.

Que sintomas pode a clamídia causar?

Os casos genitais de clamídia podem causar: 

  • Uretrite (dor ou ardor ao urinar)
  • Corrimento irregular pela vagina
  • Corrimento pelo pénis
  • Dor no baixo abdómen
  • Corrimento vaginal durante ou após o sexo
  • Períodos mais abundantes que o normal
  • Hemorragia entre períodos
  • Dor testicular 

Os casos rectais podem causar dor e corrimento pelo ânus. 

Quando afeta os olhos, os pacientes podem desenvolver conjuntivite (vermelhidão nos olhos, dor e inflamação).

Os casos de infeção na garganta são normalmente assintomáticos.

Como é a clamídia transmitida?

A clamídia é transmitida pelo sexo desprotegido vaginal, anal ou oral. Pode também ser causada pela partilha de brinquedos sexuais. 

A bactéria está presente nas membranas mucosas do indivíduo afetado (estas caracterizam-se pelo tecido mole e vermelho dentro da vagina, pénis, ânus, olhos e boca) e no esperma ou fluido vaginal. 

Quando alguém entra em contacto com alguma das membranas ou fluidos acima de uma pessoa infetada, é possível contrair a infeção.

Posso contrair clamídia pelo sexo oral?

Sim, o esperma e o fluido vaginal e as secreções da membrana mucosa do ânus podem conter a infeção. Quando um casal faz sexo desprotegido, é possível que a infeção de clamídia seja passada dos genitais ou do ânus para a boca. 

Contudo, o tecido dos genitais é muito mais suscetível à infeção do que a boca e garganta, pelo que o sexo oral é um meio menos comum de transmissão.

Posso contrair clamídia pelo sexo anal?

Sim, se o esperma de uma pessoa infetada entrar em contacto desprotegido com as membranas mucosas do ânus, a infeção pode ser transmitida. A transmissão também pode ocorrer na direção oposta, a partir do ânus de uma pessoa infetada para o pénis do parceiro.

Posso contrair clamídia pela partilha de brinquedos sexuais?

Sim. Quando os brinquedos sexuais não são limpos entre utilizações ou não é utilizado um preservativo para os cobrir, é possível que as secreções vaginais e do tecido anal transmitam a infeção a outra pessoa.

A clamídia pode ser transmitida pelo beijo?

Não, a clamídia não pode ser transmitida pelo beijo na boca.

Tenho um risco mais elevado de contrair clamídia se for gay?

Os homens heterossexuais têm a percentagem mais elevada dos casos de clamídia, porém isto não significa necessariamente que correm menos risco que os casais homossexuais. 

Os homens gay são mais suscetíveis a algumas DST como a sífilis e a gonorreia do que os homens heterossexuais. As estatísticas do Serviço de Saúde Público Inglês afirmam que os homens que têm sexo com outros homens contabilizaram 84% dos diagnósticos de sífilis e 70% dos diagnósticos de gonorreia em clínicas de acompanhamento sexual. 

O número atual de diagnósticos de clamídia entre homens que têm sexo com outros homens (12.805) foi mais elevado do que os casos de sífilis (4.192), mas mais baixo que os casos de gonorreia (22.408). Os homens que têm sexo com outros homens contabilizaram 21% dos casos masculinos de clamídia.

Os preservativos impedem a transmissão de clamídia?

Os preservativos impedem que entre em contacto com o esperma ou fluido vaginal do parceiro ou parceira, o que significa que se usados corretamente, podem ajudar a impedir a transmissão da clamídia

Apesar dos preservativos não garantirem a 100% a proteção contra as DST, estes reduzem drasticamente o risco de contrair clamídia. Se não tiver a certeza sobre o seu estado ou o do seu parceiro, é sempre melhor usar preservativo.

Para aqueles que receberam um diagnóstico de clamídia, ou suspeitam que entraram em contacto com a infeção, deve ser evitado o sexo desprotegido até que sejam novamente testados e façam tratamento.

A pílula impede a transmissão da clamídia?

Não. Apesar da pílula ser 99% eficaz a impedir a gravidez, esta não oferece qualquer proteção contra as DST, incluindo a clamídia.

O coito interrompido impede a transmissão da clamídia?

Não, as bactérias responsáveis pela clamídia são transportadas pelo esperma e fluido vaginal e estão presentes nas secreções das membranas mucosas do indivíduo afetado. Isto significa que o homem não precisa de ejacular para transmitir ou contrair a infeção. A clamídia pode ser transmitida pelas pequenas secreções de esperma ou fluido vaginal antes do clímax, ou pelo contacto com tecidos infetados.

Como posso saber se tenho clamídia?

A única forma de saber se sofre de clamídia é fazer o teste

Mesmo nos casos em que os sintomas indicam que a clamídia está presente, estes podem ser facilmente confundidos com outras DST, pelo que precisa de fazer o teste tanto para confirmar o diagnóstico como para descartar outras infeções.

É possível saber se outras pessoas têm clamídia?

Na maioria dos casos não. A condição é assintomática em 50% dos homens e 80% das mulheres, o que significa que frequentemente não é possível saber se alguém tem clamídia, apenas pela sua aparência. Fazer o teste é a única forma de ter a certeza.

O que inclui o teste da clamídia?

O teste normalmente envolve uma amostra de urina ou um esfregaço da vagina ou da ponta do pénis.

Um esfregaço pode ser muitas vezes feito no recto, no caso de ter ocorrido sexo anal.

Onde posso ser testado para a clamídia?

Existem vários locais que dispõem de testes à clamídia, incluindo: 

  • Consulta de planeamento familiar
  • Consulta com o médico de família
  • Consulta de medicina privada

Posso fazer o teste à clamídia em casa?

Sim. Existem kits de teste disponíveis para as pessoas recolherem as amostras em casa e fazerem o seu envio para análise.

Quanto tempo demoram os resultados?

Os resultados estão normalmente prontos ao fim de uma semana. Após o resultado, é necessário mostrar os resultados a um médico para que seja recomendado tratamento.

Tenho que informar o/a meu/minha parceiro(a) se tiver clamídia?

Os seus parceiros têm de ser informados se recebeu um diagnóstico positivo para a clamídia ou se tiver sintomas que indiquem esta doença.

Como posso livrar-me da clamídia?

A única forma de se livrar da clamídia é fazer tratamento antibiótico. Um médico irá prescrever este se: 

  • Tiver feito um teste a DST com um resultado positivo para a clamídia;
  • Se tiver sintomas que indiquem que sofre de clamídia. Neste caso, tem de fazer um teste às DST para confirmar o diagnóstico. 

A primeira linha de tratamentos para a clamídia são a Azitromicina e a Doxiciclina

A Azitromicina é administrada numa dose única, enquanto a Doxiciclina é administrada como ciclo de uma semana. 

A segunda linha de tratamentos inclui a Eritromicina, Ofloxacina e Amoxicilina. Estes podem ser prescritos quando a Azitromicina e a Doxiciclina estão contraindicadas.

Como a Doxiciclina não está indicada para o tratamento da clamídia durante a gravidez, o médico pode prescrever Azitromicina, Eritromicina e Amoxicilina.

Posso começar o tratamento para a clamídia antes de fazer o teste?

Em certos casos, um médico pode optar por prescrever tratamento antibiótico antes de saber o resultado do teste para confirmar o diagnóstico. Este é normalmente o caso, quando estão presentes sintomas relacionados com a clamídia

Mesmo quando existem fortes suspeitas de clamídia, o paciente tem de realizar um teste a DST para ter a certeza. Isto também serve para descartar outras DST que apresentem sintomas semelhantes aos da clamídia. 

O parceiro de uma pessoa testada positivamente para a clamídia será normalmente aconselhado a começar tratamento antes da confirmação dos resultados do teste.

Quanto tempo leva o tratamento a atuar?

Na maioria dos casos, a infeção deve desaparecer dentro de uma ou duas semanas após o tratamento antibiótico. Geralmente a dor urinária e o corrimento começam a melhorar dentro de uma semana, contudo, outros sintomas, como a hemorragia entre menstruações, pode levar até quatro semanas a melhorar.

Quando os sintomas não melhoram, deve contactar o seu médico para aconselhamento.

Terei de fazer o teste à clamídia novamente após o tratamento?

Apenas nalguns casos é recomendado realizar um novo teste para garantir que a infeção foi eliminada. O seu profissional médico irá informar sobre a necessidade de fazer outro teste após o tratamento.

Quanto tempo tenho de esperar para ter relações sexuais após a clamídia?

Deve aguardar pelo menos sete dias após completar o tratamento e após o desaparecimento dos sintomas, para voltar a ter relações sexuais. 

Se o seu parceiro ou parceira tiver iniciado o tratamento da clamídia depois de si, ou se não tiver começado o tratamento, deve esperar pelo menos sete dias após o fim do seu tratamento.

Posso contrair clamídia mais do que uma vez?

Sim, é possível sofrer de clamídia várias vezes. Fazer tratamento para uma infeção não o torna imune a futuros episódios, mesmo que tenha tido clamídia e tenha feito tratamento tal como indicado pelo seu médico, está suscetível a contrair a infeção novamente se tiver feito sexo desprotegido com uma pessoa infetada

Para mais informações sobre práticas sexuais seguras e como reduzir o risco de clamídia, consulte a nossa página sobre a prevenção.

Página revista em:  26/10/2017