A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma condição que afeta o sistema reprodutivo feminino: que inclui os ovários, trompas de Falópio, útero e trato genital. 

É causada por uma infeção bacteriana, podendo ser responsáveis mais do que um tipo de bactérias. Esta pode ser frequentemente o resultado de uma doença sexualmente transmissível não tratada, como a gonorreia ou clamídia

A condição pode causar sintomas como a dor pélvica, dor urinária e alteração na menstruação. Contudo, estes sintomas são geralmente ligeiros e passam normalmente despercebidos nalguns casos. 

Se deixada por tratar, a doença inflamatória pélvica pode levar ao desenvolvimento de abcessos, dor pélvica crónica e até infertilidade. 

Os médicos têm de normalmente fazer um exame pélvico e várias análises laboratoriais, utilizando esfregaços, para fazer o diagnóstico. Em alguns casos, podem ser necessários mais testes, como teste ao sangue ou à urina ou até um ultrassom. 

Nas fases iniciais, a DIP é tratável com medicamentos antibióticos, porém casos mais complicados ou severos podem requerer internamento hospitalar. 

Nesta página iremos abordar:

  1. As causas da DIP
  2. Quem pode sofrer de DIP
  3. Possíveis sintomas
  4. Complicações
  5. Como é diagnosticada
  6. Como é tratada
  7. O que pode fazer para diminuir o risco

Quais as causas da doença inflamatória pélvica?

A DIP é causada por uma doença bacteriana. 

Existem vários tipos de bactérias que podem potencialmente causar a condição e em muitos casos, mais do que um tipo é identificado nos pacientes com DIP. 

Contudo, a C.trachomatis (a bactéria responsável pela clamídia genital) e a Neisseria gonorrhoeae (que causa gonorreia) são as bactérias mais frequentemente responsáveis. 

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde Inglês (NHS), um quarto dos casos desenvolve-se como resultado de clamídia ou gonorreia não tratadas, enquanto o CDC afirma que a prevalência destas infeções na DIP é ainda mais elevada, estando implicada em 33-50% dos casos.* 

A doença inflamatória pélvica pode também ser causada por outros tipos de bactérias na vagina, que se disseminam para o cérvix em direção ao trato genital superior. Estas bactérias podem ser inofensivas quando estão presentes na vagina, mas podem causar problemas quando entram em contacto com outros ambientes. 

A infeção pode ocorrer se o cérvix ficar danificado após o parto ou após um aborto. Alguns procedimentos que requerem que o cérvix seja aberto, como a colocação de um dispositivo intrauterino, podem aumentar o risco de infeção. 

A utilização de água para eliminar bactérias da vagina também pode ser uma possível causa, uma vez que pode afetar o equilíbrio bacteriano neste órgão.

Quem pode sofrer de DIP?

As mulheres sexualmente ativas têm um risco superior e mulheres que sofreram de DIP no passado podem ter um risco mais elevado de sofrer novamente da condição. 

O relatório da Saúde Pública de Inglaterra de 2015, citou que a taxa de diagnóstico mais elevada se situava na faixa etária de 20-24 anos em centros de saúde e na faixa de 35-44 anos em casos hospitalares.* 

Nas mulheres entre os 15-44 anos, este órgão de saúde pública reportou que em 2011 foram diagnosticadas 176 mulheres por 100.000 habitantes em centros de cuidados primários, enquanto nos hospitais foram diagnosticados 241 casos em 100.000 pessoas

Quais são os sintomas da DIP?

Existem vários sintomas associados à doença inflamatória pélvica, porém, estes podem ser subtis e alguém com a infeção pode nem sempre notá-los. 

Os possíveis sintomas incluem: 

  • Dor abdominal baixa
  • Febre
  • Corrimento vaginal
  • Períodos mais abundantes ou mais dolorosos que o normal
  • Hemorragia entre períodos
  • Dor urinária ou ardor
  • Corrimento vaginal 

Em casos graves, é possível também sofrer de náuseas e vómitos.

A DIP pode ter complicações?

Sim. As possíveis complicações incluem: 

  • DIP Recorrente. Isto pode dever-se a após a infeção inicial, os órgãos reprodutivos lesados ficarem mais suscetíveis a ficar novamente infetados.
  • Dor pélvica a longo prazo.
  • Abcessos nas trompas de Falópio ou ovários.
  • Infertilidade. Se a doença causar lesões nas trompas de Falópio, isto pode ter um efeito direto na capacidade da mulher conceber. Os espermatozoides podem não conseguir alcançar o óvulo tão facilmente ou o óvulo pode não conseguir deslocar-se para o útero. Cerca de 1 em cada 10 mulheres com DIP, de acordo com o NHS, irão tornar-se inférteis como uma consequência da infeção. As mulheres mais em risco são aquelas que adiam a procura de tratamento.
  • Gravidez ectópica. Esta consiste, após a fertilização, na implantação do óvulo em tecidos externos ao útero. Normalmente este implanta-se na trompa de Falópio, podendo ocorrer se o revestimento das trompas de Falópio desenvolveu cicatrizes devido à infeção. 

Quanto mais cedo uma mulher com DIP é diagnosticada e tratada, menos provável é de sofrer complicações.

Como é que a DIP é diagnosticada?

Um médico pode ter de prescrever ou realizar vários testes para determinar a presença da doença inflamatória pélvica, descartando a possibilidade de outras condições. 

  • Exame ginecológico. Este é normalmente o primeiro exame do processo, durante o qual o médico avalia os potenciais sintomas (como se a zona pélvica está sensível ou se a vagina tem corrimento).
  • Esfregaço cervical. Este será feito e enviado para análise para verificar a presença de clamídia ou gonorreia. Um resultado positivo pode indicar DIP, contudo, um resultado negativo não descarta necessariamente a condição.
  • Teste de urina, teste de sangue, ultrassom e teste de gravidez. Estes podem também ser usados para confirmar o diagnóstico e garantir que os sintomas não são causados por outros fatores.
  • Laparoscopia. Este é um procedimento que consiste na realização de pequenas incisões no abdómen, permitindo a inserção de uma câmara para visualização dentro da área afetada. Apenas é usada num número reduzido de casos

Como é que a DIP é tratada?

A DIP é tratada com uma combinação de medicamentos antibióticos. Estes podem ser administrados em comprimidos ou numa injeção. 

O tipo administrado depende do tipo de bactéria responsável pela infeção e se a paciente se encontra grávida ou não. 

Para o tratamento da DIP, são indicadas as seguintes combinações: 

  • Ofloxacina e metronidazol;
  • Ceftriaxona (ou cefixima), doxiciclina e metronidazol;
  • Ou Ceftriaxona (ou cefixima) e azitromicina; 

nos casos em que o risco de infeção gonocócica é baixa, ou: 

  • Ceftriaxona (ou cefixima), doxiciclina e metronidazol; 

Quando o risco de infeção gonocócica é elevado. 

Nalguns casos, um antibiótico pode ser administrado como uma injeção, seguido de um ciclo de duas semanas de um ou mais antibióticos orais. 

Se os sintomas forem severos, pode ser necessário o internamento hospitalar. Nestes casos, os medicamentos antibióticos podem ter de ser administrados por via intravenosa. 

As pacientes com DIP que se encontrem grávidas também têm de ser internadas no hospital.

Posso diminuir o risco de doença inflamatória pélvica?

Sim. 

  • Antes do procedimento para inserção de um dispositivo intrauterino, recomenda-se um exame médico para descartar a possibilidade de infeção.
  • A higienização cuidada e não abrasiva ajuda a preservar a flora bacteriana da vagina e a reduzir o risco de DIP. 
  • Reduzir o risco de contrair uma DST ao praticar sexo seguro, como a utilização de contraceção de barreira, é outra forma de reduzir o risco de desenvolver doença inflamatória pélvica. 

Se for sexualmente ativa, é aconselhável que faça testes a DST pelo menos uma vez por ano, porém, se achar que esteve em contacto com uma DST, deve consultar o seu médico para ser testada o mais cedo possível. Quanto mais cedo uma DST como a clamídia for detetada e tratada, menos provável é o risco de desenvolver complicações como a DIP. 

Consulte as nossas páginas de informação para saber mais sobre práticas de sexo seguro e como diminuir o risco de DST.

Página revista em:  09/11/2017