A clamídia é a DST mais diagnosticada no Reino Unido, tendo uma prevalência elevada também noutros países da Europa. Cerca de metade dos casos de DST diagnosticados no Reino Unido são de clamídia – o que perfaz cerca de 200.000 casos por ano. 

Muitas pessoas presumem que uma DST como a clamídia apenas pode ser transmitida pelo sexo desprotegido. Contudo, este não é o caso. Tal como já mencionado, existem várias formas de transmitir a clamídia entre pessoas, incluindo:

  • Sexo desprotegido vaginal, anal e oral
  • Partilha de brinquedos sexuais
  • Contacto entre os genitais
  • Esperma infectado em contacto com o olho

Também é possível que a infeção seja transmitida da mãe para o bebé durante o parto. 

A clamídia nem sempre produz sintomas no hospedeiro. Tal como mencionado na nossa página sobre os sintomas da clamídia, cerca de 7 em 10 mulheres e 5 em 10 homens irão desenvolver sintomas. 

Contudo, lá porque uma pessoa não apresenta sintomas, isto não torna a doença menos infecciosa.

Chlamydia trachomatis

De facto, existem quatro espécies diferentes da bactéria clamídia. Porém, a doença sexual é frequentemente transmitida pela C. trachomatis. 

Numa pessoa infetada, esta está presente nas membranas mucosas do local infetado. As mucosas membranas são um tecido mole no corpo que não está protegido por pele, como o interior da boca, vagina, uretra e recto. 

As membranas mucosas emitem um fluido que contém C. Trachomatis, que pode também estar presente no sémen. Isto significa que quando alguém não infetado entra em contacto direto com a membrana mucosa, esperma ou fluido vaginal de alguém infetado, é possível ser contaminado pela bactéria e desenvolver clamídia.

Meios de transmissão

Consequentemente, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa pelos seguintes meios:

  • Sexo vaginal desprotegido

A clamídia pode ser transmitida do homem para a mulher pelo esperma infetado ou da mulher para o homem pelo fluido vaginal ou contacto genital. Estes são os meios pelos quais a clamídia é mais frequentemente transmitida. 

É importante ter em conta que, devido à bactérias estarem presentes nas membranas mucosas, a ejaculação não tem de ocorrer para que a clamídia seja transmitida à parceira.

  • Sexo anal desprotegido

Mais uma vez, isto ocorre quando o pénis entra em contacto com tecido infetado do recto ou vice-versa.

  • Sexo oral desprotegido

É possível que a clamídia seja transmitida por contacto oral com esperma infetado (homem-mulher ou homem-homem) ou pelos tecidos infetados em contacto com o pénis (mulher-homem ou homem-mulher). Contudo, apesar de possível, a transmissão por este meio pensa-se ser rara. Isto deve-se aos tecidos da zona genital serem mais suscetíveis à infeção pela C. Trachomatis do que a garganta ou a boca. 

Também é possível para uma mulher transmitir clamídia ao seu parceiro pelo sexo oral (vagina-boca), apesar de ser menos provável. De forma semelhante o contacto da boca com a vagina e da boca com o ânus são meios de transmissão teoricamente possíveis, mas pouco comuns.

  • Partilha de brinquedos sexuais

Isto ocorre quando o esperma infetado ou o fluido vaginal são transferidos de uma pessoa infetada para a superfície de um brinquedo sexual, que é posteriormente usado pelo parceiro(a). Os fluidos são assim transmitidos para as membranas mucosas de outras pessoas, usando o brinquedo sexual como veículo.

  • Esperma que entra em contacto com o olho

Quando o esperma infetado entra em contacto com a membrana mucosa exposta do olho, a bactéria C. Trachomatis pode causar conjuntivite. Esta consiste na inflamação dos tecidos à volta do olhos, tornando-se vermelhos, inflamados e por vezes com corrimento.

  • Mãe para o bebé

Se uma mulher grávida tiver a infeção no momento do parto, é possível que a infeção seja transmitida ao seu bebé. A clamídia durante a gravidez pode também aumentar o risco de complicações.

Risco de transmitir clamídia

Se alguém souber ou suspeitar que foi exposto à clamídia, deve fazer o teste o mais cedo possível, para que a doença possa ser diagnosticada e administrado tratamento se necessário. Deve também abster-se de qualquer contacto sexual até fazer o teste (ou um novo teste após o tratamento, se aplicável). 

Dito isto, se alguém tiver sexo desprotegido com uma pessoa infetada, não significa que a doença foi transmitida.

Estima-se que as taxas de transmissão variem e tal como discutido acima, a probabilidade de transmissão depende do contacto sexual feito. Porém, a Professora Victoria von Sadovsky, uma especialista da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estatal de Ohio, afirma que a taxa de transmissão de uma única exposição desprotegida é de cerca de 25%.*

Outros estimam que a taxa de transmissão de homem para mulher a partir de um episódio sexual é de 40% e que a transmissão mulher-homem é de 32%.** 

Obviamente, quando mais contactos sexuais com a pessoa infetada, maiores são as taxas de transmissão.

Usar proteção de barreira pode reduzir dramaticamente o risco de contágio da infeção. Desde que usados adequadamente, os preservativos pensam-se ser 99% eficazes a reduzir a transmissão de DST.*** 

Saiba mais como prevenir a transmissão da clamídia na nossa página de informações.

Página revista em:  26/10/2017