As causas dos problemas sexuais nem sempre são óbvias. Uma das principais preocupações que os homens têm a respeito da disfunção erétil é o facto de poder estar presente um problema subjacente. Doenças como a diabetes e a hipertensão arterial podem frequentemente passar despercebidas e a impotência pode ser o primeiro sinal notado. Descartar estas potenciais causas é obviamente importante, pelo que consultar o seu médico sobre estas é um passo vital.

Nos casos em que uma condição subjacente não é a causa, o tratamento de prescrição e terapias alternativas são opções consideradas pelos homens para combater a disfunção erétil. Alguns podem também considerar abordar este assunto com a sua parceira ou médico, para ajudar a superá-lo. Porém, aquilo que muitos não consideram quando sofrem desta condição, são as alterações aos hábitos do estilo de vida.

Recentemente, comprimidos como o Viagra e o Cialis tornaram-se uma opção para os homens que querem ereções mais firmes e duradouras. A sua capacidade de aumentar o fluxo sanguíneo para o pénis, torna-os uma solução eficaz para os homens com problemas de desempenho. Contudo, por vezes, segundo alguns estudos demonstraram, melhorar os sintomas da disfunção erétil é tão simples como fazer ajustes ao seu estilo de vida.

Mesmo aqueles a fazer tratamento para a condição podem beneficiar destes ajustes, uma vez que estes podem tornar os medicamentos mais eficazes e a sua utilização menos frequente. Nalguns casos podem mesmo levar a que a eficácia do tratamento seja obtida mesmo com a dose mais baixa. Tomar medidas para melhorar o seu estilo de vida não só irá reduzir o risco de sofrer de impotência, como irá melhorar o seu estado de saúde em geral.

Seguem-se cinco alterações não médicas que pode fazer aos seus hábitos regulares para ajudar a melhorar os sintomas da disfunção erétil:

Reduzir o consumo de álcool

Apesar de poder ajudar alguns homens a relaxar e aumentar a sua confiança, o álcool é um fator responsável pelos problemas de ereção. Um estudo desenvolvido na Índia em 2007 avaliou 100 homens com dependência do álcool, 72% dos quais relataram sofrer de um ou mais tipos de disfunção sexual, estando a impotência entre os tipos mais comuns.

Porque motivo o consumo excessivo ou crónico de álcool e a disfunção sexual estão relacionados? Os médicos identificaram várias razões. Primeiro, o álcool pode aumentar a tensão arterial e causar aterosclerose, impedindo o correto fluxo de sangue para o pénis. Em segundo lugar, quanto maior o consumo de álcool, maiores são os danos nervosos no sistema nervoso, tornando os recetores de prazer do corpo menos recetivos. Outra razão identificada em 2002 por um estudo desenvolvido por cientistas espanhóis revela que o álcool tem efeitos na produção de testosterona nos homens, inibindo a sua função.

Limitar o consumo de álcool, particularmente antes das relações sexuais, pode ajudar a reduzir a probabilidade de sofrer de problemas de ereção. Aconselha-se a que os homens não ultrapassem as 3 unidades (equivalente a meio litro de cerveja ou um copo grande de vinho) por dia, de forma regular. Apesar de poderem existir ocasiões onde bebe mais que esta quantidade, não o deve fazer frequentemente. Recomenda-se que espere pelo menos 48 horas após consumir álcool em excesso, de forma a permitir ao seu corpo recuperar.

Parar de fumar

Não é nenhum segredo que fumar é a principal causa de cancro do pulmão e um fator responsável pela doença cardíaca. Porém, para os homens, este pode também afetar o seu desempenho sexual. Tal como o consumo de álcool, fumar pode interferir com a função vascular e interromper o fluxo sanguíneo.

Os químicos prejudiciais inalados através do fumo do cigarro são vários e incluem arsénio, carvão e monóxido de carbono. Ingerir toxinas como estas obviamente prejudica a sua saúde. Porém os químicos do tabaco podem também inibir a função do óxido nítrico no corpo, um elemento fundamental ao relaxamento das paredes musculares dos vasos sanguíneos. 

Uma investigação publicada no British Journal of Urology em 2004 sugeriu que quanto mais o homem fuma, mais graves os seus sintomas de disfunção erétil serão. Porém, um número significativo de homens que deixou de fumar, notou uma melhoria nos seus sintomas. Se os benefícios a nível da sua saúde cardíaca e respiratória não são suficientes para parar de fumar, talvez a ideia de melhorar a sua saúde sexual seja.

 

Reduzir o stress

Para homens mais jovens em particular, o stress e a ansiedade podem ser um grande contribuidor para a disfunção erétil. Estes sentimentos, podem não estar diretamente relacionados com a pressão de um bom desempenho sexual. Por vezes uma carga profissional muito elevada ou outros problemas do dia-a-dia podem causar sintomas, bem como aumentar a suscetibilidade à hipertensão arterial ou outros problemas físicos.

Se os sentimentos de ansiedade são suficientes para causar disfunção erétil, também são graves o suficiente para despertar a sua atenção, devendo aconselhar-se com um médico. Homens com pressão elevada no trabalho devem falar com o seu empregador para ajustar o seu volume de trabalho se este for motivo de stress. Conseguir tempo suficiente para descansar após o trabalho e recuperar energias antes de um novo dia, também é importante, uma vez que a exaustão também pode dificultar a obtenção de uma ereção

Comer de forma saudável

É normal reconhecer que certos hábitos do estilo de vida, como consumir álcool e fumar, podem afetar o seu coração e tensão arterial e ser também fatores responsáveis pela disfunção erétil. Manter uma dieta desequilibrada pode ser outro exemplo. Quanto maior o consumo de gorduras saturadas, mais congestionadas ficarão as suas artérias, sendo mais provável que sofra problemas de circulação sanguínea. 

Melhorar a sua dieta pode ajudar. Investigações feitas por cientistas da Universidade Seconda degli Studi di Napoli concluíram que a disfunção erétil era menos prevalente em homens que seguiam uma dieta mediterrânica, rica em nozes, cereais, peixe, frutas e vegetais, do que em homens que ingeriam carnes vermelhas e processadas ou cereais processados. Pelo que aqueles que acham que os problemas de ereção estão a afetar a sua vida, devem considerar os hábitos alimentares.

Exercício físico

Uma vida sedentária é um fator que contribui para a disfunção erétil. Homens que não fazem exercício físico têm uma maior probabilidade de sofrer de problemas como hipertensão e problemas de circulação. Um estudo publicado no Ethiopian Journal of Science em 2011 avaliou uma série de experiências com a intenção de determinar se o exercício físico aeróbico melhorou os sintomas de disfunção erétil.

Este estudo concluiu que os homens com disfunção erétil aterogénica (causada por má circulação sanguínea) beneficiaram e notaram uma redução nos sintomas quando realizaram treino aeróbico.

Manter-se em forma para reduzir o risco de problemas eréteis não significa passar horas no ginásio. Os médicos geralmente recomendam que cerca de duas horas e meia por semana de exercício cardiovascular moderado, podem ser suficientes para notar diferenças no estado de saúde geral de uma pessoa. Se dividir este tempo, isto significa cerca de meia hora por dia, com dois dias de descanso. Considerando outros benefícios para a saúde para além da função erétil que uma rotina de exercício ligeiro oferece, é um investimento que vale a pena.

Evitar o uso de drogas recreativas

A lista de medicamentos para os quais a disfunção erétil é um possível efeito secundário é vasta. Quando é feita a prescrição de tratamento para a condição crónica ou aguda, um médico irá sempre avaliar os riscos e os benefícios, pelo que se começar a sofrer sintomas ou achar que estes se agravam com o uso do medicamento, deve informar o seu médico. Este poderá sugerir-lhe uma alternativa.

Usar drogas de forma recreativa é obviamente um mau hábito quando considera os efeitos no seu estado de saúde em geral. Os efeitos físicos e psicológicos, que podem durar vários dias após a utilização, bem com as implicações na sua saúde a longo prazo e risco de adição, são perigos que deve considerar.

O abuso recreacional de drogas pode aumentar o risco de impotência. Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine em 2009 concluiu que a heroína, as metanfetaminas e o MDMA são substâncias particularmente perigosas, levando a sintomas de disfunção erétil em cerca de 40% dos utilizadores.

Falar com o seu médico é o primeiro passo para ultrapassar a adição e outros problemas relacionados com drogas. Para aqueles que não se sentem confortáveis a abordar o seu médico, estão disponíveis vários serviços que podem ajudar. Pode encontrar mais informação ou aconselhamento confidencial em associações para o efeito.

A ocorrência ocasional de disfunção erétil é algo que a maioria dos homens, senão todos irão sofrer a determinado momento das suas vidas. O facto de que mais de 23 milhões de homens em todo o mundo foram prescritos com medicamentos para a disfunção erétil como o Viagra, é algo que o comprova.

Em alguns casos, esta pode não ser o resultado de um problemas de saúde e pode até nem precisar de ajuda médica. Por vezes, fazer alguma das alterações acima mencionadas, pode ser o necessário para controlar os sintomas.

Porém, lembre-se que os casos persistentes ou severos podem indicar problemas de saúde mais graves. Se a disfunção erétil lhe causa preocupação, o seu médico poderá fornecer-lhe aconselhamento. 

Existe cura?

A disfunção erétil não é algo que pode ser tratado indefinidamente. Mesmo os comprimidos ou outros tratamentos não erradicam os sintomas de forma permanente. Quanto piores os seus hábitos do estilo de vida forem, mais provável é os problemas de ereção persistirem. Independentemente da causa da disfunção erétil, e de se pretende obter tratamento de prescrição ou não, controlar estes fatores do estilo de vida é algo que deve considerar desde início.

Página revista em:  23/11/2017