A pílula contracetiva masculina é um assunto frequentemente discutido. 

De momento, esta pílula não se encontra disponível. Contudo, continua sob investigação, esperando-se que se tornem disponíveis algumas versões desta no futuro.

Desde a introdução da pílula contracetiva feminina em 1960, as investigações na área da contraceção masculina foram sofrendo alterações. Isto deve-se a vários motivos, como o investimento começado e interrompido pelas empresas farmacêuticas e pela aparente falta de resultados.

Opções Contracetivas Masculinas Atuais

Atualmente, as opções contracetivas masculinas são relativamente limitadas. Estas incluem preservativos, que são um método de barreira que também protege contra as principais doenças sexualmente transmissíveis (DST) e soluções mais permanentes, como a vasectomia.

Outros métodos contracetivos não-permanentes como a pílula, o DIU, o anel vaginal e a injeção, apenas estão disponíveis para as mulheres.

Requisitos da Pílula Masculina

Para que a “pílula masculina” seja introduzida com sucesso, deve satisfazer certos critérios, tal como a versão feminina. 

Primeiro, deve ser reversível, para que a função reprodutiva possa voltar ao normal assim que desejado. Em segundo lugar, tem de ser eficaz.  

Por fim, deve ter um baixo risco de efeitos secundários

Devido ao número desproporcional de opções disponíveis, Lisa Campo-Engelstein comentou num estudo publicado no Journal of Ethics, que a responsabilidade tende a recair mais sobre as mulheres.

Esta responsabilidade inclui consultas médicas, ter de lidar com efeitos secundários não desejados, procedimentos invasivos e exames e obviamente com o stress. Existe também a possibilidade da pílula contracetiva não poder funcionar, devido a vários fatores.

Como é que a pílula masculina pode funcionar

Os contracetivos femininos contêm hormonas sintéticas, que alteram os processos reprodutivos normais do corpo. Um conceito semelhante tem sido aplicado nas investigações da pílula masculina. Concluiu-se que a hormona feminina progesterona pode ser utilizada para parar a produção de espermatozoides. 

Contudo, ao mesmo tempo, também reduz os níveis de testosterona, que podem afetar a libido e a densidade óssea. De forma a contrariar esta reação, podem ser necessários suplementos de testosterona. 

Alguns estudos também sugeriram que este tipo de tratamento não inibe eficazmente a contagem de espermatozoides, existindo o risco de gravidez. Pensa-se que isto se pode relacionar com diferentes grupos étnicos. Investigações sobre as adaptações desta forma contracetiva continuam há vários anos, mas ainda não foi aprovado um método.

Opções não-hormonais

A alternativa para interferir com a função das hormonas masculinas consiste em alterar fisicamente os órgãos reprodutivos masculinos. Muitas investigações têm-se focado nos vasos deferentes, o tubo que transporta os espermatozoides dos testículos para o pénis. As técnicas têm-se baseado na administração de uma injeção nos vasos deferentes pelo escroto, conhecida por inibir reversivelmente a passagem dos espermatozoides

Um produto que ainda se encontra a ser estudado na Índia é o Vasalgel, que reveste o interior dos vasos deferentes com um químico que mata os espermatozoides à sua passagem. É administrada uma injeção posteriormente, quando o utilizador quiser reverter o procedimento, permitindo remover o químico ativo e permitindo que os novos espermatozoides continuem vivos na sua passagem para o pénis. 

Outra opção não-hormonal é o dispositivo intra-vaso, um implante que se liga aos vasos deferentes e impede a passagem dos espermatozoides. Mais investigação sobre a segurança e os efeitos a longo prazo deste método tem de ser desenvolvida, para concluir se este é viável.

O bloqueio de proteínas é outra opção considerada, uma vez que determinadas proteínas podem ser utilizadas pelo corpo durante o processo de ejaculação.

Qual a probabilidade de utilização dos homens?

O tópico sobre os homens poderem usar a pílula masculina como método contracetivo é altamente debatido. Um estudo sugeriu que cerca de 50% dos homens que atualmente já usam algum tipo de contraceção estariam dispostos a utilizar a pílula masculina. Muitos acham que os homens deviam ter mais opções para além daquelas atualmente disponíveis.

Quando pode ser esperada?

Pensa-se que vá demorar algum tempo até que esta opção se torne disponível em Portugal e para que possa ser prescrita como opção contracetiva. Todos os novos medicamentos têm de ser sujeitos a um rigoroso processo de investigação antes que possam ser lançados no mercado. 

Iremos mantê-lo atualizado.

Página revista em:  26/10/2017