O quarto Inquérito Nacional de Saúde em Portugal, aponta para uma percentagem de 85,4% da população feminina em idade fértil a usar um método de contraceção. Os métodos mais frequentes são a contraceção hormonal combinada oral, o preservativo e o DIU. Entre os tratamentos de contraceção combinados mais populares em Portugal, está a Minigeste.

Pílula Minigeste

Minigeste é um tratamento combinado para contraceção feminina. Os principais ingredientes ativos são o gestodeno e o etinilestradiol na dose 20 mcg/ 75 mcg. No Reino Unido, a mesma dose e ingredientes está presente na Femodette. Uma dose bastante semelhante de gestodeno e etinilestradiol, 30 mcg/75 mcg, é encontrada com o nome de Femodene.

Este anticoncepcional contém dois tipos de hormonas sexuais femininas, estrogénio e progesterona. Essas hormonas impedem a gravidez ao agir de três formas: ao evitar que um óvulo seja liberado de seus ovários; tornando o fluido (muco) em seu colo mais espesso, o que torna mais difícil para os espermatozoides entrarem no útero; e acaba por evitar que o revestimento do útero fique espesso o suficiente para que um ovo cresça nele.

Os benefícios de tomar a pílula incluem:

  1. é um dos métodos de contracepção reversíveis mais confiáveis, se usado corretamente;
  2. não interrompe o sexo;
  3. geralmente torna seus períodos regulares, mais leves e menos dolorosos;
  4. pode ajudar com os sintomas pré-menstruais;
  5. Minigeste não o protegerá contra infeções sexualmente transmissíveis, como clamídia ou VIH. Apenas os preservativos podem ajudar a fazer isso.

Minigeste: como tomar

Posologia e Método de administração

Primeiro ciclo do tratamento:
1 comprimido por dia durante 21 dias, a começar no primeiro dia do ciclo menstrual. A proteção contracetiva começa imediatamente.

Ciclos subsequentes:
A toma do comprimido da próxima embalagem de Femodene é continuada após um intervalo de 7 dias, a começar no mesmo dia da semana da primeira embalagem.

Trocar de pílula contracetiva

Mudança de contracetivos orais combinados de 21 dias: 

O primeiro comprimido de Femodette deve ser tomado no primeiro dia imediatamente após o final do ciclo de contracepção oral anterior. Precauções contraceptivas adicionais não são necessárias.

Mudança de uma pílula diária combinada (comprimidos de 28 dias):

Minigeste (ou Femodette) deve ser iniciado após tomar o último comprimido ativo da embalagem de comprimidos de uso diário. O primeiro comprimido de Femodette é tomado no dia seguinte. Precauções contraceptivas adicionais não são necessárias.

Mudança de uma pílula somente de progestogénio:

O primeiro comprimido de Minigeste deve ser tomado no primeiro dia de sangramento, mesmo que um POP já tenha sido tomado nesse dia. Precauções contraceptivas adicionais não são necessárias. As demais pílulas apenas de progestágeno devem ser descartadas.

Uso pós-parto e pós-aborto:

Após a gravidez, a contraceção oral pode ser iniciada 21 dias após o parto vaginal, desde que a paciente deambule completamente e não haja complicações puerperais. Precauções contraceptivas adicionais serão necessárias durante os primeiros 7 dias de ingestão dos comprimidos. Uma vez que a primeira ovulação pós-parto pode preceder o primeiro sangramento, outro método contraceptivo deve ser usado no intervalo entre o parto e o primeiro curso de comprimidos. Após um aborto no primeiro trimestre, a contracepção oral pode ser iniciada imediatamente, caso em que nenhuma precaução contraceptiva adicional é necessária.

Minigeste engorda?

Algumas pílulas podem provocar retenção de líquidos, mas não significa necessariamente engordar. Até a escrita deste artigo, não existiam artigos que comprovasse uma conexão entre a Minigeste e o aumento de peso. O visualização do excesso peso no caso de uma maior retenção de líquidos dificilmente excede a 2 Kg. Caso não esteja satisfeita com o tratamento e desconfie de uma excesso de retenção de líquidos, converse com o seu médico de família sobre um tratamento alternativo.

Pílula minigeste e acne

Infelizmente, a minigeste não tem entre os ingredientes ativos, uma composição que auxilia o tratamento da acne. Existem outras pílulas mais indicadas para o tratamento da acne, em especial, as que contém acetato de ciproterona ou Limeciclina. 

Pilula minigeste: eficácia

A eficácia de um método contracetivo deve ser uma das principais razões da escolha entre os possíveis métodos existentes. Para que isto aconteça, é preciso fazer uma escolha ajustada à mulher e a vida do casal. Alguns dos fatores principais a serem considerados são: historial de saúde; idade; se existe ou não planeamento familiar; modo de ação do anticoncepcional; incidência de efeitos colaterais ou secundários; e, se possível, outros benefícios, como equilíbrio hormonal no caso de um desbalanceamento. 

Alguns medicamentos podem diminuir a eficácia do tratamento contracetivo. Alguns destes são:

• Griseofluvina

• Rifampicina

• Carbomazepina

• Etosuximida

• Fenobarbital

• Fenitoína

• Primidona

• Retrovirais usados no tratamento da SIDA

Também é importante considerar medicamentos que podem ser afetados com o uso da pílula, como o aumento do efeito de:

• Corticosteróides

• Teofilina

• Alprazolam

• Clordiazepóxido

• Diazepam

• Nitrazepam

• Triazolam

• Ciclosporina

• Propanolol

Pilula minigeste efeitos secundários graves

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou orientações relativas à segurança de utilização de diferentes métodos contracetivos. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Ginecologia e a Sociedade Portuguesa de Reprodução Sexual, a contraceção hormonal combinada é considerada perigosa e não deve ser utilizada nos seguintes quadros de saúde:

  1. Suspeita de gravidez;
  2. Hipertensão arterial (Sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 90 mmhg);
  3. Idade maior que 35 anos; 
  4. Fumadores de 15 cigarros ou mais por dia;
  5. Índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 40 Kg/m2;
  6. Episódio agudo de tromboembolismo venoso;
  7. Doença coronária;
  8. Historial de esclerose múltipla;
  9. Patologia valvular cardíaca complicada;
  10. Associação de múltiplos factores de risco CV;
  11. Historial de AVC;
  12. Doença de Raynaud com anticoagulante lúpico positivo;
  13. Lúpus eritematoso sistémico com anticorpos antifosfolípidos;
  14. Diabetes Associada a nefropatia, retinopatia ou neuropatia;
  15. Hepatite viral aguda; Cirrose hepática descompensada; Adenoma hepático; Carcinoma hepático;
  16. Enxaqueca com aura, independentemente da idade;
  17. Enxaqueca sem aura em mulheres com mais de 35 anos (continuação do CHC);
    Cancro de mama.

 

 

Página revista em:  10/11/2020