O stresse é um termo com uma gama de conotações negativas. O stresse prolongado e crónico pode muitas vezes ser resultado de condições de trabalho difíceis ou de circunstâncias pessoais, o que pode causar efeitos adversos na saúde mental e física. Em Portugal, o nível de stress no trabalho, por exemplo, é considerado alto segundo um estudo da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, sendo o sétimo colocado dentre 31 países europeus.

Existe um nível de stresse que seja benéfico?

Neste post, vamos tratar de alguns dos efeitos do stresse e da adrenalina no corpo, se podem ser vantajosos para o nosso desempenho mental e físico, e em caso afirmativo, quanto é demais.

Por que nos tornamos stressados?

Em poucas palavras, o corpo produz certos produtos químicos quando se depara com uma situação que requer uma resposta rápida e eficiente. Quando nos sentimos ameaçados, ou temos de enfrentar uma situação difícil, os nossos corpos geram hormonas chamadas cortisol e adrenalina. Estas preparam-nos para uma ação rápida, o que faz com que a nossa frequência cardíaca aumente, a nossa respiração acelere e os nossos músculos fiquem tensos. Esta é essencialmente a forma do nosso corpo nos ajudar a nos sentirmos fora de perigo.

No entanto, também podemos experimentar uma sensação semelhante (embora em menor escala) quando participamos de desportos, jogamos jogos de computador, fazemos uma apresentação ou assistimos a um filme de terror.

A adrenalina faz com que os nossos sentidos se intensifiquem, de modo que estamos mais alertas e capazes de perceber melhor o que nos rodeia e, assim, responder rapidamente. (Por exemplo, é por isso que podemos nos tornar mais "nervosos" e sensíveis ao menor estímulo durante um filme de terror).

Os nossos corpos são apenas condicionados a manter este estado por um tempo determinado. Uma vez que, em teoria, tenhamos nos afastado do perigo, os efeitos da adrenalina diminuirão, a nossa frequência cardíaca voltará ao normal e nossos músculos e sentidos relaxarão.

Como o stresse pode nos beneficiar?

Como já foi mencionado, quando experimentamos o stresse em pequenas quantidades, isto pode impulsionar as nossas funções físicas e mentais para que tenhamos um bom desempenho numa tarefa.

O stresse também pode ser um grande motivador. Alguns teóricos o compararam a uma droga. Há pessoas que julgam funcionar melhor quando estão sob pressão, e veem isto como uma necessidade para ajudá-las a conquistar e finalizar tarefas. Algumas podem realmente prosperar em momentos de stresse. A curto prazo, descobriu-se que o stresse trabalha os centros da dopamina no cérebro. Músicos e atores geralmente descrevem um “frio na barriga” ou “nó no estômago” quando se apresentam diante de grandes multidões, e isto talvez possa ser explicado pelo menos em parte pela conexão estresse-dopamina.

Embora os efeitos do stresse descritos acima possam não beneficiar a nossa saúde como tal, eles podem nos beneficiar, em geral. Por exemplo, um bom desempenho devido a uma pequena quantidade de stresse pode melhorar a nossa posição no trabalho. No entanto, pesquisas sobre os benefícios mentais e fisiológicos do stresse agudo também foram realizadas. Por exemplo, o stresse agudo é definido por impulsionar a função do sistema imunológico. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford descobriu que a simulação da metabolização da sensação de adrenalina em ratos fez com que mais células do sistema imunológico entrassem na sua corrente sanguínea.

Cientistas da Universidade de Berkeley também descobriram que o stresse agudo pode ter um efeito positivo na memória dos ratos. Entretanto, como acontece com quaisquer teorias desenvolvidas em grande parte dos estudos realizados em animais, os resultados podem não ser refletidos igualmente nos humanos. Assim, embora possam ser interessantes e formar a base de novas pesquisas, é importante interpretar estes resultados com cautela.

Quando o stresse se torna maléfico para a saúde?

É crucial diferenciar entre formas agudas e crónicas de stresse. O stresse agudo, ou aquele que é experimentado num curto tempo, tem maior probabilidade de passar após o evento ou situação responsável por ele ter sido resolvida. Por exemplo, se alguém experimenta stresse agudo como resultado por ter um prazo profissional a cumprir, uma vez satisfeito o prazo, o stresse pode se dissipar.

O stresse crónico, no entanto, é diferente. Isto pode ser o resultado de um problema persistente, como uma sobrecarga constante de trabalho ou circunstâncias difíceis na vida pessoal de alguém.

O impacto psicológico do stresse crónico é bastante conhecido. O stresse persistente pode afetar negativamente o bem-estar mental de várias formas, o que pode causar problemas como ansiedade e depressão. No entanto, o stresse crónico também pode ter um efeito prejudicial em vários aspetos da saúde física também.

Um estudo de metanálise realizado por pesquisadores da Universidade de Kentucky descobriu que, embora o stresse agudo tenha ajudado a aumentar a imunidade de algum modo, geralmente se observou que o stresse crónico aumentava a suscetibilidade a infeções e doenças.
Muitos sabem por experiência própria que o stresse pode causar dores de cabeça por conta da tensão, bem como dores musculares. Pode também interferir no sono e nos tornar mais propensos ao cansaço e ao esgotamento (que, por sua vez, podem diminuir a imunidade).

Diversos estudos também sugeriram uma forte ligação entre o stresse e a inflamação. Acredita-se que o stresse crónico iniba a capacidade do sistema imunológico de regular a resposta inflamatória e, como tal, o stresse é considerado um fator-chave no surto de doenças inflamatórias, como a psoríase, a doença de Crohn e a colite ulcerativa, e, uma pesquisa sugere támbém a artrite reumatoide.

Como devo lidar com o stresse?

É perfeitamente normal sentir-se stressado de tempos em tempos devido às demandas da vida quotidiana. Como já discutimos, quando experimentamos o stresse em pequenas quantidades e o administramos bem, pode realmente ser útil.

Mas é importante ser capaz de reconhecer quando o stresse está se a tornar um problema constante.

Pode estar a experimentar níveis potencialmente perigosos de stresse para si caso:

  • sinta-se como se estivesse constantemente com preocupações
  • tem dificuldades para relaxar
  • desenvolva manifestações físicas, tal como a dor de cabeça ou a dor musculartorna-se facilmente agitado(a)
  • não consegue dormir com tranquilidade

As pessoas que sentem como se estivessem a viver com stresse contínuo necessitam lidar com isto. Se o seu trabalho é a causa, falar com o seu empregador ou gerente pode ajudar. Obviamente, isto depende do tipo de trabalho que realiza, mas seu empregador pode oferecer assistência ao abordar as suas preocupações, facilitar a sua carga de trabalho ou direciona-lo a um serviço de aconselhamento. Caso contrário, deve conversar com o seu médico em busca de orientação e possíveis tratamentos.

* Post original em inglês.