Cada vez mais pessoas optam por uma alimentação vegan ou com base vegetal, com o número de adeptos do estilo de vida vegan também a aumentar todos os anos.

Investigações recentes demonstram que uma dieta vegan pode ter benefícios para a saúde de pessoas que sofrem de diabetes, podendo mesmo evitar a diabetes tipo 2 em pessoas em risco de desenvolver esta condição.

Dieta vegan: o que é?

Uma dieta vegan ou vegetal exclui todos os produtos de origem animal. Este tipo de dieta foca-se no consumo de vegetais, leguminosas, produtos integrais, lentilhas, feijões, frutas e nozes. Uma dieta vegan também tenta reduzir a quantidade de produtos refinados que consumimos.

Seguir uma dieta vegan saudável pode requerer um planeamento maior do que uma dieta tradicional não-vegan, de forma a garantir que não são eliminados nutrientes essenciais.

Evidência sobre a dieta vegan na prevenção e tratamento da diabetes

Um estudo revelou que os participantes a seguir uma dieta vegan tinham uma maior probabilidade de reduzir o seu IMC, melhorar a sua sensibilidade à insulina e reduzir os seus níveis de açúcar no sangue, quando estão a comer ou em jejum.

Outro estudo sugeriu que uma dieta vegan pode ser uma boa forma de proteção contra a diabetes tipo 2.

Também existe evidência a sugerir que quanto mais não-vegan é a dieta, maior o risco de sofrer de diabetes.

Apesar destes resultados serem promissores, esta área requer mais investigação antes que sejam feitas quaisquer alterações às recomendações. Os participantes num dos estudos prepararam as suas próprias refeições, pelo que podem ter ocorrido alterações à dieta inicialmente recomendada.

De forma a estes resultados terem um maior significado, os estudos têm de ser levados durante mais tempo e usar uma população maior.

Quais são os potenciais benefícios de seguir uma dieta vegan?

A prevenção da diabetes é uma área de investigação fundamental. Estima-se que mais de um milhão de pessoas sofra de diabetes em Portugal, com tendência a aumentar nos próximos anos. Os medicamentos para a diabetes, o tratamento de complicações e os custos do serviço de saúde ultrapassam os largos milhões com esta doença.

Por este motivo, a prevenção deve ser preferida ao tratamento. A promoção de uma dieta vegan para as pessoas em risco elevado pode tornar-se um método eficaz em termos de custos e reduzir o risco de intervenção, para além de beneficiar o ambiente numa escala maior.

A nível individual a dieta vegan tem o potencial de ser uma dieta para alguns diabéticos pelo seguinte:

  • Não é baseada estritamente em calorias nem em porções, que nem sempre são fáceis de contar ou medir
  • Pode ser uma forma eficaz de perder peso
  • Pode reduzir o colesterol
  • Pode melhorar a função renal

Ingerir alimentos com baixo índice glicémico que tendem a ser mais frequentes nas dietas vegan tem o potencial de reduzir a resistência à insulina.

Se lhe foi diagnosticada diabetes, o seu médico ou especialista podem abordar alterações na dieta, pelo que deve pedir o seu aconselhamento antes de começar uma dieta vegan.

Uma dieta vegan é nutricionalmente suficiente?

Existem certos fatores nutricionais que precisam de ser tidos em conta antes de iniciar uma dieta vegan, quer lhe tenha sido diagnosticada diabetes ou não.

Alguns nutrientes que deve ter em conta quando inicia uma dieta vegan incluem:

  • Vitamina B12 – esta vitamina é essencial ao sistema nervoso e à função das células do sangue. Se sofrer de carência desta vitamina é normal sentir-se facilmente cansado. Como a vitamina B12 não está incluída em dietas de origem vegetal, é possível incluí-la numa dieta vegan através de alimentos fortificados como os cereais ou leites vegetais. Também pode ser tomada em forma de suplemento.
  • Cálcio – é usado pelo corpo para manter os ossos fortes e ajudar a manter a função nervosa e muscular. Este nutriente é encontrado em muitos produtos lácteos. Contudo, também existe em abundância em vegetais de folha verde e as bebidas vegetais como o leite de soja ou de amêndoa são frequentemente fortificados com cálcio.
  • Ferro – o ferro encontrado nos produtos vegetais (não-heme) pode ser mais difícil de absorver pelo corpo do que o ferro de origem animal (heme). Contudo, deve ser feito um planeamento de forma a garantir que este é recebido pelo corpo através da ingestão de feijões, lentilhas, frutos secos e cereais fortificados, especialmente quando consumido com alimentos ricos em vitamina C.

A sua idade, a quantidade de exercício físico que pratica e a presença de outras condições de saúde subjacentes, como problemas digestivos ou a doença inflamatória intestinal, podem também ter impacto na sua abordagem à dieta vegan. Nalguns casos, o seu corpo pode precisar de mais proteína para se manter saudável ou o seu sistema digestivo pode não conseguir absorver ferro a partir de fontes não-heme. Contudo, é possível seguir uma dieta vegetal e continuar saudável. Se tem dúvidas sobre se deve começar uma dieta vegan ou não, consulte o seu médico.

Escolher uma dieta vegan

É importante ter em conta que nem todos os alimentos vegan são saudáveis. Uma dieta vegan tem de ser equilibrada e bem planeada. Os pacientes com diabetes terão de continuar a considerar os alimentos a nível de glucose e carga glicémica. Uma dieta que incorpora muitos hidratos de carbono pode ter um impacto significativo nos níveis de açúcar no sangue. Alterar simplesmente a sua dieta para seguir os princípios vegan nem sempre garante uma dieta saudável.

Uma dieta vegetal também deve incorporar exercício físico para ajudar os participantes a manterem-se saudáveis. Se começou uma dieta vegan, mas está a ser difícil manter os níveis de energia necessários para a sua prática de exercício habitual, pode ser necessária ajuda profissional para receber todos os nutrientes que o seu corpo necessita.

Uma dieta vegan pode ser boa para algumas pessoas, mas não para todas. Outras dietas mais tradicionais usadas para controlar a diabetes são baixas em gordura, baixas em hidratos de carbono ou baixas em calorias. Por isso, se lhe foi diagnosticada diabetes ou se pertence a um grupo de alto risco, deve falar com o seu médico ou especialista antes de fazer alterações drásticas à sua dieta.