Uma dose individual de chocolate é de normalmente 25 gramas, o que corresponde a cerca de um oitavo de ovo da Páscoa, tendo em conta as informações presentes no rótulo.

O sentido de oportunidade em torno dos ovos da Páscoa, faz deles uma novidade, pelo que pode ser fácil convencermo-nos de que as regras de nutrição não se aplicam. Apesar de poder parecer estranho o facto de comer um ovo da Páscoa inteiro de uma só vez, não é uma hipótese completamente fora de contexto.

Os ovos da Páscoa têm vários tamanhos pelo que o seu conteúdo em açúcar e calorias pode variar. Não é raro que um ovo grande de chocolate de leite pese cerca de 200 gramas e que contenha por volta de 110 gramas de açúcar e 1100 calorias.

O metabolismo varia de pessoa para pessoa e algumas pessoas podem sofrer de condições médicas que as tornam mais suscetíveis aos sintomas que outras.

Porém, abaixo é possível conhecer os efeitos que ingerir um ovo da Páscoa com 200 gramas e 110 gramas de açúcar de uma só vez, pode ter.

  • Boca

De forma imediata, comer chocolate desencadeia vários efeitos na sua boca. Primeiro, o açúcar combina-se com a saliva e cria ácido. Este ácido começa então a atacar o esmalte dos dentes e as gengivas. Normalmente esta reação ocorre dentro de 15 minutos. Após algum tempo, este ácido começa também a reagir com as bactérias latentes da boca, podendo levar ao aparecimento de mau hálito, também conhecido como halitose.

  • Estômago

O estômago produz ácido para digerir os alimentos que comemos. Porém, quando consumimos quantidades elevadas de alimentos açucarados, isto pode levar a um aumento dos níveis de ácido no estômago. Este aumento pode causar dor e desconforto na barriga. Da mesma forma, quando os níveis de ácido no estômago são elevados, isto pode fazer com que o ácido se desloque para o esófago (causando refluxo ácido e azia), o que leva por sua vez a um desconforto ainda maior.

Também é importante saber que o açúcar se expande quando se encontra no estômago e que isto pode causar bolsas de gás, que podem levar a desconforto e a cólicas.

  • Pâncreas

Tanto os açúcares naturais como os açúcares refinados do chocolate (lactose e sacarose) são digeridos e levados para o intestino delgado, antes de passarem para a corrente sanguínea.

O pâncreas tem como função libertar insulina, que converte o açúcar presente na corrente sanguínea em energia que pode ser utilizada. Contudo, o pâncreas apenas pode produzir determinada quantidade de insulina de uma vez, pelo que quando estão presentes níveis elevados de açúcar no sangue, pode não ser capaz de produzir insulina em quantidade suficiente.

  • Fígado

O resto de açúcar presente na corrente sanguínea que não pode ser convertido em energia pela insulina é processado pelo fígado e transformado em gordura. Inevitavelmente, isto aumento o esforço do fígado, tornando mais difícil a sua função e a filtragem de outras toxinas do sangue.

Mais tarde, quando os níveis de açúcar diminuem significativamente, o sistema endócrino recorre ao fígado para tentar dele extrair açúcares e recuperar o equilíbrio.

  • Cérebro

Comer muito chocolate de uma só vez causa vários efeitos no cérebro.

Inicialmente, pensa-se que o açúcar e outros estimulantes alimentares encontrados no chocolate se liguem aos centro opióides no cérebro, levando à libertação do químico dopamina. Este é uma hormona que causa uma sensação de prazer e diminui a sensação de dor.

A duração destes efeitos depende da quantidade de dopamina libertada. No caso da ingestão de 100 gramas de chocolate, pensa-se que esta sensação comece a diminuir dentro de uma hora.

Após isto, é normal sofrer uma diminuição brusca dos níveis de açúcar no sangue. Isto pode levar a sentimentos de abstinência ligeiros, como irritabilidade, letargia e dor de cabeça.

  • Coração

Entretanto, depois do açúcar ser absorvido na corrente sanguínea, o cérebro ao detetar níveis elevados de açúcar no sangue, pensa que o corpo está a ser atacado e liberta cortisol (também conhecido como a hormona do stress) e epinefrina (adrenalina). Em conjunto, estas podem levar a que o coração bata mais rápido e com mais foça, aumentado a tensão arterial e podendo também levar ao aparecimento de palpitações.

  • Imunidade

A flutuação dos níveis hormonais causada pelo consumo excessivo de açúcar pode ter efeitos no sistema imunitário e a sua capacidade pode ser temporariamente reduzida. Isto significa que durante algumas horas, estará mais suscetível a infeções do que o normal.

Qual a quantidade de açúcar que podemos ingerir?

As doses de referência para um adulto são de 2000 calorias e de 90 gramas de açúcar. Contudo, este valor refere-se à quantidade total de açúcar, incluindo os açúcares que estão naturalmente presentes nos alimentos como o leite, o queijo, as frutas e os vegetais.

Os açúcares naturalmente presentes nos alimentos são diferentes dos açúcares refinados presentes em doces e em chocolates, que contêm açúcares adicionados. Os alimentos que contêm açúcares naturais também contêm normalmente outros nutrientes essenciais como proteína, fibra, vitaminas e minerais. Os alimentos processados também podem conter estes nutrientes, mas estes estão normalmente presentes em quantidades mais baixas, tornando-os ricos em açúcar e calorias.

A dose máxima recomendada de açúcar é na verdade muito mais baixa que os 90 gramas. De forma a manter o risco de doenças relacionadas com a alimentação no mínimo, os alimentos com açúcar adicionado não devem perfazer mais de 5% do total de ingestão de calorias diárias, ou seja, cerca de 30 gramas por dia para um adulto.

Para as crianças, as doses de referência são mais baixas. Para crianças entre os 7 e os 10 anos, a dose diária não deve exceder os 24 gramas e para as crianças entre os 4 e os 6, deve ser inferior a 19 gramas.

Existem factos importantes a considerar quando consulta os rótulos. Nas embalagens dos alimentos, o conteúdo em calorias e açúcar é dado como uma percentagem para os valores de referência dos adultos, não de crianças. Da mesma forma, a percentagem de açúcares refere-se aos açúcares totais e não aos açúcares adicionados.

Tendo em conta um ovo da Páscoa grande, a quantidade de açúcar de 110 gramas, para além de exceder os 90 gramas, está próximo de conter quatro vezes mais a dose máxima de açúcar recomendada para um adulto, e de conter quatro a cinco vezes mais, no caso das crianças.

Coma ovos da Páscoa – mas com moderação

A informação acima não deve impedir que coma ovos da Páscoa se esse é o seu desejo.

Normalmente, as épocas festivas traduzem-se em alguns excessos, porém, desde que não se torne um hábito, o impacto na saúde é reduzido.

Se os ovos de chocolate fazem parte da sua Páscoa, mas quer manter-se saudável e evitar os efeitos descritos acima, pode ser importante considerar a seguinte informação:

  • Não coma o seu ovo da Páscoa de uma só vez. Um ovo da Páscoa pode conter as calorias correspondentes a um dia, a gordura saturada correspondente a dois dias e quatro dias de açúcar adicionado (para um adulto). Por isso, tente comer o ovo de forma faseada e faça-o durar mais do que um ou dois dias.
  • Faça um embrulho para ovos mais pequenos. Isto fará com que a pessoa a quem oferecer o ovo também coma menos.
  • Se receber um ovo da Páscoa grande, partilhe-o.
  • Escolha chocolate negro em vez de chocolate de leite. O chocolate negro é feito com 70% a 80% de cacau, que tende a ser mais rico, pelo que não tem de comer tanto para se sentir saciado. Também tem normalmente menor quantidade de açúcar que o chocolate de leite.
  • Prepare uma caixa para guardar. Voltar a embrulhar o seu ovo em folha de alumínio, nem sempre é fácil, pelo que a tentação de comer o ovo todo de uma só vez é maior. Em vez disso, guarde o resto do seu ovo da Páscoa numa caixa. Sentirá menos necessidade de comer o ovo de uma só vez.

Tenha a sua saúde oral em conta. Beba água após comer chocolate para prevenir que o ácido produzido ataque os seus dentes e gengivas. Garanta também que escova os seus dentes regularmente.