Documentários como o Blue Planet nos ajudaram a melhorar a consciencialização dos efeitos devastadores dos plásticos na vida marinha. Alguns cientistas também estão preocupados com o impacto dos microplásticos na saúde humana, pela nossa ingestão destas substâncias através do consumo de peixe.

Neste artigo, iremos analisar esta teoria mais a fundo e conversar com o Diretor Clínico Dr Daniel Atkinson sobre como os microplásticos podem estar a nos afetar.

Primeiramente: O que são microplásticos?

É possível dizer que microplásticos são como areia. Grãos de areia já foram uma vez parte de uma grande pedra que, após anos de erosão e fragmentação, quebrou-se em pedaços cada vez menores.

O mesmo processo acontece com os microplásticos que, assim como a areia, não vão à parte alguma tão cedo.

Num artigo da National Geographic que examinou o plástico nos oceanos, Elizabeth Royte relata foram encontrados microplástico em 114 criaturas aquáticas, as quais, metade são consumidas por seres humanos. Como o plástico encontrou um caminho para os oceanos e para os peixes que lá vivem, também encontrou uma forma de chegar aos nossos corpos.

Certamente, nos países ocidentais, onde as pessoas estão cada vez mais conscientes com a alimentação, é surpreendente que o caso dos microplásticos encontrados no nosso aparelho digestivo não seja notícia nos média. Entretanto, isto pode ser também devido aos poucos estudos científicos ainda realizados sobre o tema.

De acordo com um estudo sobre microplásticos realizado pelo departamento de medicina da Universidade de Viena e a Agência de Meio-ambiente na Áustria, estima-se que “mais de 50% da população mundial tem microplásticos nas fezes”. O experimento realizado encontrou 20 partículas de microplásticos cada 10g de excremento.

Porque os microplásticos são maus para o nosso corpo?

No relatório anual sobre os impactos gerais da poluição na saúde, o chefe do conselho de medicina do governo (Chief Medical Officer) informou que a ausência de dados toxicológico faz com que uma avaliação de risco eficaz não seja possível.

O relatório, entretanto, ressaltou três pontos acerca da saúde, como:

  1. toxicidade física, como o bloqueio do intestino,
  2. toxicidade química decorrente de substâncias químicas liberadas pelas partículas que poderiam ser monômeros plásticos, corantes e plastificantes e;
  3. lesão pulmonar, como inflamação e fibrose secundária.

Outra reação física da toxicidade apontada pela Elizabeth Royle apontou para o risco de danos do fígado, observado em alguns peixes que consumiram plástico. Entretanto, não se sabe se isto seria observado da mesma forma em seres humanos.

"O relatório do Diretor Médico observa que os riscos não são quantificados", diz o Dr Daniel Atkinson. "Então, nesta fase, o impacto sobre a saúde humana é em grande parte teórico."

Entretanto, ao analisar o relatório, parece que o trato digestivo, os pulmões, o fígado e os rins são as áreas do corpo que acreditam que podem ser mais afetadas. Por exemplo, é possível que o "bloqueio do intestino" causado pelo consumo de microplástico a longo prazo possa levar a problemas de digestão e inflamação do revestimento do intestino.”

A toxicidade química causada pelo consumo de microplástico pode dar aos órgãos que lidam com filtração, como o fígado e os rins, mais trabalho por fazer. Entretanto, mais uma vez, nesta fase, não está claro o quanto de pressão extra (se houver) esses órgãos estariam sujeitos.”

O que está a ser feito sobre o problema dos microplásticos?

Estima-se que em torno de 12,7 milhões de toneladas de plástico entram o oceano todo o ano e este número está sempre a aumentar. Muito destes plásticos serão quebrados em microplásticos. Alguns comentaristas argumentam que a legislação atual que limita o uso de plástico não é suficiente.

Se está preocupado com o impacto dos microplásticos para a sua saúde, ou de forma ampla sobre os perigos que o plástico apresenta para o meio-ambiente, oceanos e vida selvagem, faça o possível para reduzir o seu uso de plástico.

Uma forma de reduzir o uso de plástico é ter consigo garrafas de água ou canecas de café reutilizáveis, evitar canudos de plástico, levar sacos de pano para o mercado e investir em utensílios domésticos alternativos que utilizem materiais facilmente recicláveis.

Se todos fizerem a sua parte, podemos eliminar o plástico nos oceanos e, consequentemente, no nosso organismo também.

Para evitar os microplásticos, devo parar de comer peixe?

De acordo com o Dr Daniel Atkinson, existem outras razões pelas quais devemos limitar o consumo de peixe. “Talvez a razão mais importante atualmente seja o fato de que muitas espécies de peixe estão em perigo de extinção.

E complementa: “a pesquisa a qual mencionamos é bastante recente e, é importante dizer que, o peixe, quando consumido com moderação, tem vários benefícios e pode fazer parte de uma dieta saudável balanceada. No momento, talvez seja mais prudente não necessariamente evitar totalmente o consumo de peixe que já faz, mas garantir que esteja a consumir espécies que não estão em risco de extinção.”