Um estudo realizado pela Universidade de Sheffield examinou a prevalência de HPV oral (papilomavírus humano) e os fatores de risco que podem contribuir para contrair uma infeção.

Publicado no British Medical Journal Open, o estudo encontrou taxas de infeção abaixo do esperado quando comparado a estudos anteriores sobre a prevalência do HPV.

O HPV foi recentemente abordado pelos media, após um novo anúncio sobre a vacina contra o HPV. A vacina contra o HPV está disponível para meninas com idade entre 12 e 13 anos desde 2008. No entanto, foi anunciado recentemente que a vacina será lançada para oferecer cobertura aos adolescentes também. A vacina atual abrange quatro cepas de HPV (16, 18, 6 e 11).

Como este estudo aconteceu?

O estudo recrutou 700 participantes, entre homens e mulheres, através de vários meios, como a universidade, um hospital odontológico e um centro de saúde sexual.

O grupo de amostra foi então convidado a preencher anonimamente um questionário que incluía perguntas sobre tabagismo, álcool e experiência sexual. Os participantes também foram solicitados a fornecer uma amostra de sangue através do dedo, uma amostra oral, de gargarejo e uma amostra de célula epitelial bucal da mucosa oral.

Quais foram os resultados?

Dos 700 participantes, verificou-se que 2,2 por cento estavam infetados com infeção oral por HR-HPV. Entre estes, 0,7 por cento foram considerados positivos para as cepas HPV16 ou HPV18.

O que estes resulados nos dizem?

Este último estudo sobre HR-HPV confirma a associação entre experiências sexuais orais e o aumento do risco aumentado de infeção pelo HPV.

O estudo também concluiu que ex-fumadores correm mais risco de contrair a doença do que aqueles que nunca fumaram.

O que isto significa num contexto do mundo real?

Quando o HPV é mencionado pelos media, muitas vezes é com referência à sua ligação ao cancro do colo do útero. No entanto, os resultados deste estudo também visam chamar a atenção para a ligação entre o HPV e os cancros orofaríngeos.

Os cancros orofaríngeos estão em ascensão globalmente. Isto tem sido associado a um aumento na prevalência de infeções orais com HR-HPV.

A atual vacina contra o HPV foi considerada um sucesso e descobriu-se que oferece proteção contra as cepas mais perigosas do HPV. A introdução da vacina deve levar a uma queda no número de casos de cancro do colo do útero nos próximos anos na Inglaterra.

A Dra. Vanessa Hearnden, que trabalhou na análise, expressou o apoio total do estudo ao programa de vacinação contra o HPV anunciado recentemente também para meninos.

No entanto, ela também comentou que muitos dos testes positivos para cepas de HPV de alto risco também estavam a carregar cepas não cobertas pela vacina atual. Isto, ela argumenta, demonstra a necessidade de desenvolver novas vacinas que ofereçam proteção adicional contra estas cepas. É também preciso aumentar os esforços para ajudar a educar as pessoas sobre os fatores de risco associados (ou seja, o número de parceiros sexuais e o uso de tabaco).

HPV em Portugal

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em Portugal, 20% das mulheres com idades entre os 18 e os 64 anos estão infetadas. Entretanto as mulheres não são as únicas infetadas. A Liga Portuguesa Contra o Cantro tem ativa uma campanha sobre o HPV em que o foco é difundir a informação de que o vírus não escolhe género, nem idade.