Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de alergias. 

Uma reação alérgica ocorre quando o corpo reage exageradamente à presença de uma substância nociva. Esta reação é conhecida como resposta hiperativa.

Durante esta resposta, o sistema imunitário produz um anticorpo conhecido como imunoglobulina E (IgE) que é enviado para uma área específica para combater a suposta ameaça.

Quais são os sintomas de alergias?

A presença de IgE leva a que o corpo liberte histamina, o que causa vários sintomas.

Estes podem variar, mas normalmente afetam a pele, o trato respiratório, o sistema cardiovascular e o trato gastrointestinal.

Os tipos mais comuns de reação incluem:

  • Rinite: causa inflamação no revestimento das vias nasais. Pode resultar em corrimento ou entupimento nasal, espirros e comichão.
  • Conjuntivite: Uma inflamação de uma parte do olho chamada conjuntiva. O olho pode ficar com uma aparência vermelha à medida que os vasos sanguíneos se dilatam. A inflamação pode também ativar as glândulas lacrimais, tornando os olhos mais lacrimejantes que o normal.
  • Dificuldades respiratórias: As vias aéreas inflamadas podem causar irritação que leva a tosse, pieira, falta de ar e aperto no peito.
  • Urticária: também conhecida como erupção cutânea, é caracterizada por vermelhidão. A pele pode ficar empolada ao toque e com muita comichão.
  • Angioedema: inchaço que ocorre por baixo da pele, nomeadamente na cara, lábios, olhos, mãos e pés. Este sintoma apresenta-se normalmente em conjunto com a urticária e está normalmente associado ao choque anafilático.
  • Dor gástrica: inclui desconforto abdominal, diarreia e vómitos. Está normalmente associada a alergias alimentares.
  • Eczema: caracteriza-se por zonas de pele vermelhas, secas e com comichão, que podem ser causadas pelo contacto com um alérgeno como o níquel (um metal usado em joalharia) ou alimentos ingeridos.

As reações alérgicas graves podem resultar num choque anafilático, que pode tornar-se muito grave e colocar a vida em risco.

Quando se desenvolvem as alergias?

As alergias podem manifestar-se a qualquer momento da vida.

Pode estar exposto a uma substância em várias ocasiões e não sofrer de nenhuma reação alérgica, mas isto pode alterar-se.

Pensa-se que cerca de 50% das pessoas desenvolve uma ou mais alergias antes de atingir os 18 anos. Se lhe foi diagnosticada uma alergia na infância, é possível que a sua condição melhore à medida que envelhece.

Estima-se que mais de um terço das pessoas em Portugal sofre de alergias, com este número com tendência para aumentar.

Quem está em risco de sofrer alergias?

Qualquer pessoa pode sofrer de alergias. Contudo, a predisposição para as alergias está nos genes.

  • 1 progenitor alérgico = 33% risco de sofrer uma alergia
  • 2 progenitores alérgicos = 70% risco de sofrer uma alergia*

Contudo, estes dados não dão a indicação do tipo de alergia que pode desenvolver, uma vez que não é obrigatório herdar a mesma alergia que os pais.

Predisposição genética significa que o seu sistema imunitário produz anticorpos IgE em excesso, sendo esta reação conhecida como atopia. Ser atópico não significa que irá desenvolver uma alergia, mas em algumas circunstâncias, existe o risco do seu sistema imunitário reagir desproporcionalmente.

Os fatores ambientais que podem aumentar o risco de sofrer de uma alergia incluem:

  • A utilização de antibióticos na infância
  • Exposição a pelos de animais e ácaros.
  • Crescer junto de fumadores.

Existe também um debate sobre a relação entre os bebés nascidos com baixo peso e as alergias.

Quais são os principais tipos de alergias?

Em teoria, pode ter alergia a qualquer substância. Os principais alérgenos podem ser divididos em vários grupos: respiratórios, contacto, alimentos e medicamentos.

  1. Respiratórios

Os fatores respiratórios levam a uma reação do sistema imunitário quando inalados.

Exemplos destes incluem:

  • Pólen: o pólen produzido por várias plantas pode causar sintomas desagradáveis para muitas pessoas com alergias. As partículas invisíveis movem-se pelo ar e aderem a muitas superfícies, tornando-se difíceis de evitar.
  • Bolor: Os esporos libertados pelo bolor podem causar reações alérgicas, particularmente durante o tempo húmido e épocas de colheita.
  • Pelos de animais: Os animais domésticos podem causar problemas a pessoas com alergias. Quando os animais se mexem, facilmente libertam pelo e partículas presentes neste para o ar, que podem ser posteriormente aspiradas.
  • Ácaros: Os ácaros microscópicos estão presentes nos nossos lares e sobrevivem à custa do nosso material orgânico, como por exemplo, restos de pele. As suas fezes são muito secas pelo que as partículas são facilmente inaladas para nosso sistema respiratório.
  1. Contacto

Quando a pele entra em contacto direto com um alérgeno, o nosso sistema imunitário tenta combater este alérgeno como se de uma infeção se tratasse, provocando vários sintomas.

Os alérgenos de contacto podem ser:

  • Látex: A dermatite de contacto irritante é a forma de reação alérgica mais comum aos produtos de látex, formando-se uma erupção cutânea com comichão na pele.
  • Picadas ou modidas de insetos: A área de picada fica inchada e com comichão. Este alérgeno pode levar a anafilaxia e num pequeno número de pessoas, tornar-se fatal.
  1. Alimentos

Se o corpo produzir demasiada IgE quando determinado alimento é consumido, podem ser desencadeadas várias respostas dependendo do local onde a reação ocorre.

O alimentos que mais frequentemente desencadeiam alergias incluem:

  • Frutos
  • Ovo
  • Frutos secos
  • Marisco
  1. Medicamentos

Todos os medicamentos têm o potencial de causar efeitos secundários nos seus utilizadores. Contudo, um pequeno número de pessoas irá sofrer verdadeiras reações alérgicas que causam dermatite e sintomas febris.

Os medicamentos que mais frequentemente causam reações alérgicas são:

  • Antibióticos
  • Anestésicos
  • Injeções de contraste usadas no diagnóstico por raio-x

Porque estão a aumentar os casos de alergia?

Existem várias teorias para o aumento dos casos de alergia, porém, ainda não foi identificada a verdadeira causa.

As principais teorias incluem o aumento da poluição, uma diminuição da exposição precoce a bactérias (hipótese higiénica) e uma alteração da composição genética humana que torna as pessoas mais predispostas a alergias.

O aumento do número de alergias está atualmente limitado a países ocidentais e a nações industrializadas. Isto suporta a teoria de que elevados níveis de poluição desempenham um papel no número de alergias diagnosticadas.

Pensa-se que um aumento do número de casos de pessoas atópicas leva a um aumento das alergias. Contudo, as alterações na genética humana levam vários anos a desenvolver-se pelo que o atual aumento das alergias pode não ser apenas atribuído a uma maior prevalência de genes alérgicos.

A hipótese higiénica foi construída em torno da teoria de que atualmente não estamos expostos à mesma quantidade de bactérias na infância do que no passado. Pensa-se que isto se deve a um aumento da utilização de substâncias antimicrobianas a nível doméstico, à limpeza industrial e à redução do contacto entre as crianças e os animais de pecuária.

Foi sugerido que para que os nossos corpos formem um sistema imunitário suficiente, temos de entrar em contacto com estes elementos numa fase precoce das nossas vidas. Continua a investigação na área para estabelecer se uma melhor compreensão pode melhorar as terapias alérgicas*.

Página revista em:  26/04/2018